Certas palavras enganam não por serem estranhas, mas por serem muito familiares. O problema não está em alfalux, cuntatório ou filancioso, mas sim em tradição, regionalismo, folclore. Estas três últimas é que precisavam ser tratadas com mais cautela intelectual.
Regionalismo, por exemplo. Ela aparece por todo lado, e sempre mais atrapalha do que ajuda a nomear com clareza o fenômeno em pauta. O que é regional? O que acontece numa região, certo. E o que é região? A área de Nova York, a da capital paulista, a da cidade do Rio de Janeiro, pergunto, são regiões? Sim. Mas o que se produz nelas – a literatura, a música, a pintura, a dança – é qualificado como regionalismo?