Porto Alegre, 11 de junho de 2026 – Pela quarta edição, o público poderá conferir dentro da programação do 16º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira a Mostra Outros Esquemas, que contará com sessões na Cinemateca Paulo Amorim a partir de 26 de junho. A mostra não-competitiva, que passou a integrar a programação do CEN em 2019 como forma de contemplar mais um espaço de expressão da arte audiovisual brasileira, apresenta uma curadoria com 10 obras. “Criamos a Mostra Outros Esquemas pensando em obras que consideramos importantes, que nos provocam e emocionam, seja pelas histórias que contam ou pela forma que são contadas. Entendemos que diante de tantos filmes inscritos na Mostra Competitiva Brasil, temos como responsabilidade ser janela de exibição para obras diversas, ampliando as criações compartilhadas com o público”, revelam os curadores Dirnei Prates, Jaqueline Beltrame, Kamyla Belli e Ramiro Azevedo.
Nesta edição, foram dez selecionados de oito Estados do Brasil. São obras sobre personagens e territórios que vivem nas bordas: periferias, corpos trans, juventudes dissidentes, arquivos incompletos, religiosidades populares, espaços abandonados, memórias corroídas, heranças traumáticas. “É um audiovisual brasileiro que abandona a ideia de centro. E isso é profundamente coerente com a trajetória histórica do Cine Esquema Novo”, revelam os organizadores e curadores do CEN, Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo.
Há também uma presença muito forte da fabulação documental. Poucos filmes parecem interessados em uma divisão rígida entre documentário e ficção. Isso aproxima a seleção de um pensamento contemporâneo da imagem — algo muito mais ligado à videoarte e ao ensaio audiovisual do que ao cinema clássico de gênero.
Integram a seleção os títulos Aláfia (Cecilia Fontenele), Badlands: um parque fictício (Cristyelen Ambrozio), Bate Cabelo! (Luís Knihs), Boi de Salto (Tássia Araújo), Braço Forte (Rubens Fabricio Anzolin e João Fernando Chagas), Capim-Navalha (Michel Queiroz), Drunken Car (Brunella Martina), Judas é Meu Avô (Dudu Gehlen), Música Clássica é pra Quem? (Fernanda Silva e Nayara Anjos), Vermelho de Bolinhas (Renata Fortes e Joedson Kelvin).
O 16º Cine Esquema Novo - Arte Audiovisual Brasileira, que, em 2026, completa 23 anos de existência, ocorre de 25 de junho a 05 de julho em diversos espaços de Porto Alegre, com entrada franca. As obras audiovisuais serão exibidas em sete Mostras (Mostra Competitiva Brasil, Mostra Outros Esquemas, Mostra Audiovisual em Curso, Mostra Acessível, Mostra de Acervo e Mostra de Artista Convidada e Mostra Especial Petrobras), que ocupam a Cinemateca Capitólio, Goethe Institut Porto Alegre, Cinemateca Paulo Amorim, MACRS e Instituto Remanso.
Nos próximos dias serão divulgados os detalhes da programação, que inclui debates, Seminário “Pensar a Imagem” e oficina Câmera Causa.
MOSTRA OUTROS ESQUEMAS – 16º CINE ESQUEMA NOVO - ARTE AUDIOVISUAL BRASILEIRA – SELECIONADOS
- Aláfia (Cecilia Fontenele)
- Badlands: um parque fictício (Cristyelen Ambrozio)
- Bate Cabelo! (Luís Knihs)
- Boi de Salto (Tássia Araújo)
- Braço Forte (Rubens Fabricio Anzolin e João Fernando Chagas)
- Capim-Navalha (Michel Queiroz)
- Drunken Car (Brunella Martina)
- Judas é Meu Avô (Dudu Gehlen)
- Música Clássica é pra Quem? (Fernanda Silva e Nayara Anjos)
- Vermelho de Bolinhas (Renata Fortes e Joedson Kelvin)
SOBRE AS OBRAS | MOSTRA OUTROS ESQUEMAS
Aláfia, de Cecilia Fontenele (PB, 2025) Sandra, uma mulher negra de 28 anos, enfrenta um dia difícil na cidade enquanto busca forças no sagrado e na ancestralidade para pedir a cura de seu pai.
Badlands: um parque fictício, de Cristyelen Ambrozio (RS, 2025) Em uma periferia do sul do Brasil, artistas e moradores transformam um terreno baldio em parque e museu a céu aberto, enquanto enfrentam a disputa entre um sonho coletivo e os interesses do mercado.
Bate Cabelo!, de Luís Knihs (SP, 2025) Documentário que reconstrói a história do bate-cabelo como expressão artística, memória coletiva e símbolo de resistência LGBTQIAPN+ no Brasil.
Boi de Salto, de Tássia Araújo (PI, 2025) Após fugir da fazenda onde vivia com a família, Abdias sonha em dançar de salto alto no grupo mais tradicional de Bumba-Meu-Boi de sua cidade.
Braço Forte, de Rubens Fabricio Anzolin e João Fernando Chagas (RS, 2025) No antigo porto de Pelotas, um jovem trabalhador encara os fantasmas da violência e do trabalho noturno na periferia do extremo sul do Brasil.
Capim-Navalha, de Michel Queiroz (GO, 2026) Documentário sobre pessoas trans que vivem na Chapada dos Veadeiros e constroem suas trajetórias entre território, corpo, identidade e resistência no Cerrado goiano.
Drunken Car, de Brunella Martina (RS, 2025) Uma adolescente tímida e destemida foge de casa para ir à sua primeira festa e atravessa a noite em uma jornada de desejo, risco e autodescoberta.
Judas é Meu Avô, de Dudu Gehlen (MA, 2025) Um crime ocorrido em 1970 atravessa gerações de uma família no interior do Maranhão, até que o neto da vítima decide levar o caso ao júri.
Música Clássica é pra Quem?, de Fernanda Silva e Nayara Anjos (SP, 2025) Documentário sobre Regiane Dias, regente, violinista e produtora periférica que reflete sobre arte, acesso cultural e identidade no Brasil.
Vermelho de Bolinhas, de Renata Fortes e Joedson Kelvin (CE/PI, 2025) A partir da ausência de imagens originais de Benigna Cardoso, jovem vítima de feminicídio no Ceará em 1941, o filme investiga as fronteiras entre memória, imaginação e representação.