Exibido no Festival de Cannes e escolhido em 2025 como o melhor filme do Festival Internacional de Cinema da Fronteira, em Bagé, A Queda do Céu (2024) mostra a luta dos Yanomami para manter seu território e a integridade de sua cultura e costumes diante da invasão e influência dos não indígenas. O documentário dirigido por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha é baseado no testemunho do xamã e líder Davi Kopenawa, organizado em livro pelo antropólogo francês Bruce Albert.
A Queda do Céu parte de um importante ritual fúnebre para apresentar a cosmologia Yanomami e sua relação com a ancestralidade, a vida presente, a natureza e o futuro. Considerada a mais importante cerimônia desse povo, o Reahu reúne centenas de parentes dos falecidos com a finalidade de apagar todos os rastros daquele que se foi e, assim, colocá-lo em esquecimento.

Ao mesmo tempo em que dá voz às denúncias de Davi e companheiros ao chamado "povo da mercadoria", que leva à comunidade o garimpo ilegal e as epidemias, entre outras mazelas, o filme ilustra o cotidiano, ritos e afazeres dos indígenas com belas imagens da floresta e seus habitantes e fenômenos, em um ritmo narrativo ralentado, sem pressa.
O convite à imersão no mundo dos Yanomami coloca-se logo no começo: o filme se inicia com um longo plano-sequência mostrando um grupo que desponta à distância em uma trilha que sai da mata. Homens, mulheres e crianças vão gradualmente se aproximando da câmera em seu caminhar constante e hipnótico. Como espíritos oriundos de épocas imemoriais, as figuras que por fim preenchem a tela depois de minutos instauram assim diante do espectador um tempo e um espaço próprios.

A Queda do Céu: * * * *
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