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BatukBaile afirma o protagonismo negro dentro e fora da pista

Criada por e para pessoas negras, iniciativa une música, afeto, empreendedorismo e cuidado coletivo

BatukBaile afirma o protagonismo negro dentro e fora da pista
Coletivo de dança Kiki Dolls Project. Foto: Mélanie Silveira/BatukBaile

Pouco mais de um ano após sua primeira edição, a BatukBaile realiza uma nova festa feita por e para pessoas negras, no dia 6 de fevereiro, a partir das 23h, no Cine Theatro Ypiranga. Ritmos como funk, rap, R&B, pop, pagode e afrobeat embalam a noite, que afirma a cultura como espaço de encontro, cuidado coletivo e protagonismo dentro e fora da pista.

Esta será a segunda edição do Esquenta BatukBaile, versão reduzida para 500 pessoas do baile oficial que já foi realizado seis vezes, reunindo até 1.200 pessoas numa única noite. “Decidimos intercalar as edições maiores com os esquentas como forma de nos mantermos próximos do nosso público”, explica Anne Borges, fundadora e diretora da Batuk. 

Anne atuou por quatro anos como gerente de projetos da Batekoo, plataforma de cultura, educação e entretenimento negro. Ao participar de eventos voltados ao protagonismo de pessoas negras na região Sul do país, a produtora cultural sentiu que era necessário diversificar as possibilidades de entretenimento. “A população negra do Sul do Brasil precisa e merece mais opções de confraternizações pensadas por e para pessoas negras. A Batuk vem como mais uma opção de um encontro seguro.”

Dandara Abreu (e), Anne Borges (c) e Rafael Barcellos (d). Foto: Mélanie Silveira

O projeto é construído de forma coletiva por três sócios, a partir de vínculos de confiança e troca constante. Essa proximidade se reflete na forma como a BatukBaile é pensada e conduzida, com decisões coletivas e uma relação marcada por paixão pelo que fazem e compreensão da responsabilidade simbólica, política e afetiva envolvida na criação de espaços negros. 

Rafael Barcellos, conhecido como DJ Paju, responde pela curadoria e produção artística. Discotecando há quase uma década, ele traz para a Batuk uma fusão de gêneros como funk, rap, R&B, pop, pagode e afrobeat, sempre a partir de uma leitura política da pista como espaço de afirmação. 

“Eu percebia muitas dificuldades para encontrar espaços de protagonismo para pessoas negras nas produções de festas. Muitas vezes havia eventos que utilizavam uma estética e uma representação musical negra, mas por trás da produção e do planejamento, não eram pessoas negras”, ressalta Barcellos. 

Essa percepção se transforma em princípio orientador da Batuk: o projeto tem como lema “um encontro de ritmos negros feito por e para pessoas negras”, em que o protagonismo atravessa não apenas a pista e o palco, mas também a produção e a tomada de decisões.                

A terceira organizadora da festa é Dandara Abreu, que atua na comunicação, no relacionamento com a imprensa e na construção da imagem pública do projeto. É a partir desse trabalho que a Batuk estabelece diálogo com outros agentes, influenciadores e grupos de dança, formando uma rede que ultrapassa o formato da festa e se conecta com a cena cultural negra da cidade.

Festa como espaço de cultura, empreendedorismo, educação e saúde

Feira afroempreendedora da 4ª edição. Foto: Mélanie Silveira

A Batukbaile também é pensada de forma mais ampla, como impulsionadora de negócios – em edições anteriores, a festa abriu espaço para empreendedores negros venderem seus produtos. “Nós nos entendemos como uma empresa jovem, que precisa ter paciência e responsabilidade com seus próprios processos. Nunca nos limitamos apenas às festas. Pensando em futuro e planejamento, enxergamos nossa atuação em três frentes: entretenimento, educação e saúde”, explica Anne.

A proposta não é competir com outras iniciativas, mas somar ao ecossistema cultural negro já existente, oferecendo mais uma possibilidade de encontro e circulação. Os organizadores entendem que lazer, identidade e bem-estar estão profundamente conectados. Nesse sentido, a cultura é entendida também como instrumento de saúde coletiva, especialmente quando se trata da população negra e de pessoas LGBTQIAPN+, públicos centrais na construção dos eventos.

Foto: Mélanie Silveira/BatukBaile

No eixo educativo, o projeto Batuk no Corre ainda não realizou atividades presenciais, mas conta com estrutura, identidade e posicionamento definidos. “É o coração desse pilar educacional. Para 2026 e 2027, será provavelmente a frente em que o público começará a ver ações mais concretas”, detalha Anne. Já a atuação dedicada à saúde física e mental ainda está em fase de estruturação, mas é considerada inegociável pelos organizadores.

A escolha das equipes, o direcionamento da comunicação aos seus públicos, a organização dos espaços e a atenção a questões de gênero fazem parte de uma experiência pensada para reduzir barreiras e aumentar a sensação de segurança. O retorno do público confirma essa intenção: a maioria das edições realizadas até agora tiveram ingressos esgotados, com público recorrente e relatos frequentes de pertencimento e conforto.

Para os organizadores, o sucesso do projeto não se mede apenas em números, mas na resposta afetiva e política de quem frequenta a festa. “Enquanto esse retorno continuar vindo, vou estar me sentindo realizada, faz sentido seguir”, resume Abreu. 

O segundo Esquenta BatukBaile servirá como ponto de encontro pré-carnaval para quem deseja celebrar os ritmos negros. A noite será conduzida por MC Lays Ayana, com sets de DJ Paju, DJ Cremosa e do DJ carioca Crazy Jeff, em seis horas de pista que seguem até as 5h30, quando será servido um café da manhã para quem ficou até o final da festa.

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Esquenta BatukBaile
Onde: Cine Theatro Ypiranga (avenida Cristóvão Colombo, 772 – Floresta – Porto Alegre)
Horário: a partir das 23h
Ingressos: entre R$ 25 a R$ 45 no Shotgun, com listas gratuitas para pessoas trans, pessoas negras com mais de 40 anos e professoras e trancistas negras

Mariana Dawas

Estagiária de jornalismo. Formada em Relações Internacionais pela PUC-RS, estudante de Jornalismo na UFRGS e fotógrafa freelancer. Contato: mariana@matinal.org

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