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Cia de Ópera do RS luta contra a violência à mulher com nova temporada de "Pagliacci"

Remontagem com as participações do Grupo Tholl, do Coro Lírico da CORS e da Orquestra Theatro São Pedro terá duas sessões nos dias 15 e 16 de agosto

Cia de Ópera do RS luta contra a violência à mulher com nova temporada de "Pagliacci"
Foto: Vitória Proença

Uma das óperas mais aclamadas pelo público gaúcho na trajetória da Companhia de Ópera do RS (CORS), ‘Pagliacci’, terá curta temporada nos dias 15 (sábado) e 16 (domingo), às 20h, no Teatro Simões Lopes Neto. A CORS une-se ao projeto ‘O RS diz não à violência contra a mulher e ao feminicídio’ através de um grande espetáculo de seu repertório. A montagem terá a participação da Orquestra Theatro São Pedro, de grande elenco de solistas CORS e do Grupo Tholl.

No início do ano, a Companhia perguntou aos seus seguidores no Instagram qual espetáculo eles gostariam de rever em 2026. Uma ação inédita para conhecer, se aproximar e fazer do público um agente participativo de suas superproduções e temporadas. ‘Pagliacci’, que estreou em junho de 2023 no Theatro São Pedro, venceu com 45% dos comentários, seguido pelas óperas ‘O Elixir do Amor’ e ‘João e Maria’.

Dividida em dois atos, ‘Pagliacci’ (‘Os Palhaços’, em português) é a trágica obra-prima do compositor italiano Ruggero Leoncavallo, e, também, seu maior sucesso. Para compor tanto a música quanto o libreto, ele se inspirou em uma história real ocorrida no sul da Itália. A estreia da montagem ocorreu em Milão, em 21 de maio de 1892.

A versão que será reapresentada em Porto Alegre transporta a história para uma cidade fictícia no interior do Rio Grande do Sul nos dias atuais. No primeiro ato, uma trupe circense representada pelo Grupo Tholl desembarca no local para apresentar um espetáculo. Enquanto o evento é preparado, os integrantes da companhia se enredam em uma série de relações abusivas. O líder da trupe, Canio, descobre a infidelidade da esposa, Nedda, e interpreta a famosa ária “Vesti la Giubba” enquanto coloca seu figurino para o espetáculo.

No segundo ato, ficção e realidade se misturam no palco durante uma apresentação da trupe. Tomado pela fúria, Canio assassina a mulher e o seu amante em plena cena.

Questões como feminicídio e discriminação – intrínsecas à história original – vêm à tona nesta releitura contemporânea da ópera, que tem direção cênica e concepção de Flávio Leite.  “O Brasil é um país que mata uma mulher por feminicídio a cada cinco horas, e esta ópera traz um caso clássico de maus tratos, cárcere privado e abuso contra a mulher. Não alteramos nada da ópera original, apenas questionamos com a encenação se esses crimes podem continuar impunes em 2026”, pontua Leite. 

Agosto Lilás é uma campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, instituída pela Lei Federal nº 14.448/2022. O mês foi escolhido em alusão à sanção da Lei Maria da Penha, que em agosto celebra seu aniversário, sendo um marco na proteção de mulheres contra agressões físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais e morais.

Somente no primeiro trimestre de 2026, uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos, em média. Entre janeiro e março, foram 399 assassinatos, tornando este ano o mais letal no recorte do primeiro trimestre desde 2015.

Nedda será interpretada pela soprano Rosimari Oliveira e Canio será vivido pelo tenor Lazlo Bonilla. O elenco, formado inteiramente por integrantes da CORS, inclui ainda Roger Bueno no papel de Tonio,  Daniel Germano como Silvio e Oséas Duarte como Beppe.

A estética do Grupo Tholl (Patrimônio Cultural do Estado do Rio Grande do Sul), que em 2027 celebra 40 anos de criação, é marcada por lirismo e cor que inspira toda a ópera, desde os cenários, alusivos ao espetáculo “Cirquin”, até os figurinos, garimpados do acervo da trupe.

Já o Coro Lírico da CORS, preparado pelo maestro Sérgio Sisto – um dos fundadores da Sociedade Pelotense Música pela Música (SPMM) –, será representado por 21 cantores. Além de atuar como os habitantes da cidade que recebe o circo, eles terão a missão de cantar peças desafiadoras, com destaque para o “Coro dos Sinos”, um dos trechos mais famosos da ópera.

Sobre “Pagliacci” – A ópera tem um prólogo onde um ator vem alertar o público: o que eles vão ver não será uma série de palhaçadas, e sim coisas da própria vida. Mas não se assustem: eles apenas fingem o verdadeiro.

A trama começa quando uma companhia de circo chega a uma aldeia e o Palhaço principal anuncia o espetáculo, do qual sua mulher é a estrela. Adverte que na peça ela pode ser cortejada, mas na vida real a coisa seria diferente. Acontece que ela tem como amante um aldeão do lugar. Os dois se encontram e combinam de fugir naquela noite, mas são descobertos pelo marido. Vendo-se traído, ele entra em desespero e jura vingar-se (Vesti la giubba).

Durante a representação, o Palhaço começa a confundir a comédia com a vida real e se descontrola passando do fingimento à realidade: ele mata a mulher e, em seguida, o amante, que veio socorrê-la. Depois anuncia ao horrorizado público: “A comédia acabou!”

Os grandes tenores da história consideraram o papel um desafio, pois o personagem exibe uma ampla gama de emoções, do humor maníaco à fúria assassina. Na famosa ária mencionada anteriormente, ele reflete sobre o desafio de interpretar um papel cômico enquanto seu coração está despedaçado.

FICHA TÉCNICA

Concepção, direção cênica e remontagem: Flávio Leite
Regência: Evandro Mattè

Direção artística Grupo Tholl: João Bachilli

Preparação Coro Lírico da CORS: Sérgio Sisto

Pianista preparador: Patrick Menuzzi

Canio: Lazlo Bonilla

Nedda: Rosimari Oliveira
Tonio: Roger Bueno
Silvio: Daniel Germano
Beppe: Oséas Duarte
Contadini: Daniel Schiling e Fernando Montini

SERVIÇO

Ópera ‘Pagliacci’, de Ruggero Leoncavallo

Quando: 15 e 16 de agosto de 2026 | Sábado e domingo | 20h

Onde: Teatro Simões Lopes Neto (Rua Riachuelo, 1089 - Centro Histórico)

ngressos: R$60 a R$180
antecipados: https://theatrosaopedro.rs.gov.br/pagliacci

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