Filmado e ambientado em Porto Alegre, o thriller erótico Ato Noturno (2025) mostra a cidade como cenário do relacionamento ao mesmo tempo velado e exposto entre dois jovens homens. Dirigido pelos gaúchos Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, o filme foi exibido no Festival de Berlim do ano passado e estreia nesta quinta-feira (15/1), com sessão comentada pelos diretores, às 19h, na Cinemateca Paulo Amorim, e exibições diárias, de 15 a 21 de janeiro, sempre às 16h45.
Na trama de Ato Noturno, Matias (Gabriel Faryas) é um ator ambicioso que integra uma companhia teatral porto-alegrense. Quando surge a notícia de que uma grande série de TV será rodada na capital gaúcha, a rivalidade com Fábio (Henrique Barreira), colega de cena e de apartamento, se intensifica: ambos desejam o papel que pode mudar suas trajetórias.
Ao mesmo tempo, Matias se envolve com Rafael (Cirillo Luna), empresário que mais tarde revela ser um político em ascensão. O encontro casual, marcado pelo desejo intenso, acaba se repetindo outras vezes, apesar das restrições impostas pelas convenções sociais, que constrangem a paixão dos amantes na construção de suas imagens e encenações públicas: Rafael concorre a prefeito, Matias vai encarnar um galã heterossexual na série.

“Por mais que o filme se enquadre nesse gênero de um neo noir e um thriller erótico, que são gêneros mais ligados ao cinema norte-americano, um consenso que a gente tem ouvido bastante é como conseguimos pegar esses gêneros e fazer deles algo contemporâneo, queer e muito brasileiro. Um neo noir subtropical”, reflete Marcio Reolon. “O Brasil é isso: a gente vive rodeado por essas potências de desejo, violências e essa política atravessando as nossas vidas o tempo todo”, completa Filipe Matzembacher.
A produção levou três troféus Redentor no Festival do Rio 2025: melhor ator para o estreante em longas Gabriel Faryas, roteiro para Matzembacher e Reolon e fotografia para Luciana Baseggio.

Porto Alegre é mais do que cenário em Ato Noturno: a identificação reiterativa de lugares icônicos como o Parque da Redenção, a Avenida Mauá, o Theatro São Pedro e a Praça da Matriz sugere uma paisagem que dialoga diretamente com a vida dupla dos personagens ⎯ homens que transitam entre a rotina pública e experiências íntimas vividas à margem da visibilidade social.
Como em Tinta Bruta (2018), longa anterior dirigido pela dupla de realizadores, igualmente rodado na capital gaúcha, a noite e suas pulsões intensas e insinuantes estimulam em Ato Noturno os protagonistas em suas performances sociais e sexuais, colocando os corpos em encontros nos quais o perigo da descoberta serve de estímulo ao jogo erótico.

Ato Noturno: * * *
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