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Dois álbuns fundamentais da música do RS, Vertente, de Carlos Patrício, e Quem Tem Boca é Pra Cantar, de Zé da Terreira, serão relançados em 2026

Dois álbuns fundamentais da música do RS, Vertente, de Carlos Patrício, e Quem Tem Boca é Pra Cantar, de Zé da Terreira, serão relançados em 2026
Carlos Patrício / Foto por Mariana Sever

Dois álbuns representativos do que há de mais alternativo na música gaúcha serão relançados nas principais plataformas digitais de música em maio deste ano: Vertente, de Carlos Patrício, lançado em vinil em 1986, e Quem Tem Boca é Pra Cantar, de Zé da Terreira, lançado em 2002. Duas raridades da produção fonográfica independente – o LP Vertente teve uma tiragem única de 900 discos, dos quais foram distribuídos cerca de 850 exemplares, e o CD Quem Tem Boca é Pra Cantar, produzido com financiamento do Fumproarte, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, teve tiragem única de mil cópias, totalmente esgotada.

Amigos e parceiros desde os anos 80, as trajetórias de Carlos Patrício e Zé da Terreira se misturam e se entrelaçam em aventuras musicais, shows, gravações e na convivência mantida entre idas e vindas de Porto Alegre a São Paulo, e vice-versa, nas últimas quatro décadas. Em 1992, Zé da Terreira passou seis meses em São Paulo, hospedado na casa de Carlos Patrício. Nesse curto período, realizaram apresentações e participaram do Encontro de Teatro de Rua de Campinas. A partir dessa convivência e inspirado na atuação e no canto do Zézão, Carlos Patrício compôs a marchinha Quem Tem Boca é Pra Cantar. Em 1994, Carlos Patrício esteve em Porto Alegre para a gravação do disco Subvertendo, que contou com a participação de Zé da Terreira, com improvisos vocais na marchinha inspirada por ele. Em 2002, foi a vez de Zé da Terreira gravar a marchinha que dá título ao álbum Quem Tem Boca é Pra Cantar e inclui outras duas composições de Carlos Patrício, como Sol-Luar do Mar-Sertão e República das Bananas, em parceria com Johann Alex de Souza. Em 2016, Carlos Patrício inicia o projeto Revertério, reunindo amigos e parceiros da música e da poesia, e que vem realizando quase que anualmente em espaços alternativos de Porto Alegre e Viamão, tendo Zé da Terreira como uma das mais constantes participações desde a primeira edição, inclusive no Revertério/2023, realizado no Clube de Cultura, 15 dias antes da sua passagem para outro plano.

Carlos Patrício surgiu na música gaúcha após participação polêmica no VII Festival Musipuc, em 1980, com a música experimental Vertente, um poema concreto cantado/gritado com acompanhamento de ruídos, gritos, apitos e som de água em uma bacia. Após a realização dos shows Aleph no Unimúsica e A Outra Face da Lua, com Alexandre Vieira e Johann Alex de Souza, apresentado no Auditório da Aliança Francesa, em 1984 partiu para a realização do sonho de gravar Vertente. Dez anos mais tarde, em 1996, lançou Subvertendo, com as participações de Alexandre Vieira, Mário Falcão, Johann Alex de Souza, Quinca Vasconcellos e Zé da Terreira. Participou como compositor e intérprete dos álbuns Chacarera Blues (2005) e Novo (2017), de Alexandre Vieira. Na esteira dos encontros poético-musicais Revertério, em 2024 lançou o álbum Revertério, com as participações especiais de Sebastián Jantos, Mário Falcão, Pablo Lanzoni, Michelle Cavalcanti, Marcelo Delacroix, Johann Alex de Souza, Quinca Vasconcelos e Alexandre Vieira (póstuma).

O “cantor e atormentado”, como se declarava José Carlos Peixoto, morou no Rio de Janeiro no final dos anos 1970 e início da década de 1980, onde atuou no grupo Tá na Rua, sob a direção de Amir Haddad, participou da primeira montagem no Brasil do musical Hair e apresentou-se em programas de calouro como a Discoteca do Chacrinha. Retornando a Porto Alegre em 1985, ligou-se ao Grupo Ói Nois Aqui Traveiz, atuando em peças e performances de rua. Foi batizado com o nome artístico Zé da Terreira por Johann Alex de Souza. Passando a dedicar-se mais ao ato de cantar, realizou apresentações e gravações ao lado de Alexandre Vieira, Mário Falcão, Carlos Patrício e Johann Alex de Souza. Realizou os shows Cézio 137, Zé Canta Brecht e África-Brasil, e em 2002 lançou o disco Quem Tem Boca é Pra Cantar, além de participações no disco Subvertendo, de Carlos Patrício e Chacarera Blues, de Alexandre Vieira. Zézão, como também era conhecido, atuou ainda junto ao Grupo de Teatro de Rua Oficina Perna de Pau e participou do Bloco da Laje. Uma das últimas atuações de Zé da Terreira foi com a peça Cartagena, dirigida por Carlos Pinto, apresentada inúmeras vezes em espaços de rua em Porto Alegre. Através das atuações em peças, shows e principalmente em performances e intervenções realizadas nas ruas, praças e parques de Porto Alegre, tornou-se uma figura popular, marcada pelo carisma e enorme capacidade de improviso que demonstrava em apresentações de teatro e música.

Entre as recompensas na plataforma Benfeitoria para quem apoiar o projeto estão ecobags com a capa do disco Vertente, licores artesanais, ingressos para os dois shows, o livro Evangelho da arte segundo o trovador saltimbanco, histórias vividas com Zé da Terreira, de Johann Alex de Souza. Publicação do selo Ói Nóis na Memória, camisetas e o disco em vinil Vertente, de Carlos Patrício, uma raridade. Mas o mais importante é estar junto nesse riquíssimo projeto de dois grandes compositores da cena musical gaúcha de todos os tempos.

Vertente e Quem tem Boca é Pra Cantar
– relançamento dos álbuns de Carlos Patrício e Zé da Terreira –
Em maio de 2026 nas plataformas digitais

Shows em Porto Alegre:
29 de maio, às 20h – REVERTÉRIO RE-VERTENTE no Meme Estação Cultural com Carlos Patrício e Camaradas

30 de maio, às 20h – QUEM TEM BOCA É PRA CANTAR na Terreira da Tribo com Johann Alex de Souza, Leonor Melo, Mário Falcão, Zé Ramos, Carlos Eduardo Falcão, Carlos Patrício, Tânia Farias e Ói Nóis Aqui Traveiz

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