A vida do casal francês mais amado do seu tempo é contada em Eu, que Te Amei (2025), novo filme da diretora e roteirista Diane Kurys. A atriz Simone Signoret e o cantor e ator Yves Montand são revividos na tela por dois grandes nomes do cinema francês contemporâneo: Marina Foïs e Roschdy Zem.
Exibido na seleção oficial Cannes Classics do Festival de Cannes de 2025, Eu, que Te Amei retrata durante décadas a turbulenta relação da dupla de artistas, marcada por amores, traições e uma parceria que resistiu ao tempo e às adversidades. A cinebiografia privilegia o ponto de vista da francesa Simone Signoret (1921 ⎯ 1985), cuja vida sentimental e a carreira artística foram determinadas por seu dedicado amor pelo ítalo-francês Yves Montand (1921 ⎯ 1991). Assombrada especialmente pelo caso extraconjugal do marido com Marilyn Monroe e ferida por todas as infidelidades que se seguiram, Signoret sempre recusou o papel de vítima.
"Há algo fascinante em Signoret, uma força, uma determinação, misturadas com uma certa fragilidade, uma vulnerabilidade. Bons personagens são sempre feitos desses contrastes. São suas sombras que definem seus contornos, como as fronteiras de certos países desconhecidos. Então, me baseei nela para descobrir o casal, embora eu já soubesse um pouco sobre Montand, como todo mundo", explica a cineasta Diane Kurys.

Realizadora de vários filmes sobre casais com relações intensas e trágicas ⎯ Depois do Amor (1992), À la Folie (1994) e Os Filhos do Século (1999) ⎯, Kurys especula sobre a natureza do vínculo entre os icônicos protagonistas de Eu, que Te Amei: "Signoret e Montand passaram 30 anos se amando e se odiando. Achei muito mais interessante contar a história do fim do relacionamento deles do que do começo. Eles ainda se amam? Como, apesar das traições, das infidelidades e da passagem do tempo, esse casal consegue permanecer junto e, ao mesmo tempo, desmoronar lentamente diante de nossos olhos? Por que eles continuam juntos? Esse é o mistério que permeia o filme e que, sem dúvida, percorreu suas vidas".
O trabalho de pesquisa da diretora, que divide o roteiro com Martine Moriconi e Sacha Sperling, durou cerca de cinco anos. "Não posso afirmar que conheço Simone melhor do que seus biógrafos ou sua família, mas posso reconhecer que tenho minha própria visão, minha Simone. Houve um lento processo de amadurecimento para descobrirmos como contaríamos a história de Simone. Revi quase todos os filmes dela, assisti a muitas entrevistas, o que me permitiu sugerir certas falas para Diane que eu absolutamente precisava dizer", conta Marina Foïs, excelente atriz de títulos como As Bestas (2022), A Sindicalista (2022) e Salamandra (2021) ⎯ drama romântico dirigido pelo brasileiro Alex Carvalho e rodado em Olinda e Recife.
Já o ator e diretor franco-marroquino Roschdy Zem ⎯ que se submeteu a longas sessões de maquiagem para encarnar seu papel, da mesma forma que sua colega protagonista, exibidas logo no início do filme ⎯ destaca o recorte temporal do projeto: "O que me atraiu foi que não se trata de uma cinebiografia no sentido estrito, que traça as origens e o sucesso profissional do personagem até sua morte. O roteiro se concentra no período final da vida dele e de Simone e conta, acima de tudo, uma história de amor. Como resultado, o filme de Diane se torna uma proposta, não uma exposição".

Eu, que Te Amei: * * * *
COTAÇÕES
* * * * * ótimo * * * * muito bom * * * bom * * regular * ruim
Assista ao trailer de Eu, que Te Amei: