Cruzando memória, política e fabulação, A Vida Secreta de Meus Três Homens (2026) investiga a herança violenta do Brasil. Com direção de Letícia Simões, o filme parte da evocação de três figuras masculinas para refletir sobre traumas históricos e familiares que ecoam na formação do país.
O longa promove o encontro de três fantasmas ⎯ inspirados nas figuras do avô, do pai e do tio da cineasta ⎯, reunidos em torno de uma pergunta fundamental: como chegamos ao Brasil de hoje? A partir desse questionamento, A Vida Secreta de Meus Três Homens constrói uma fábula histórica que interroga a identidade do país diante de seu passado e de suas estruturas de violência.
A narrativa é conduzida por uma narradora, interpretada pela atriz Nash Laila, que guia o encontro com Fernando (Giordano Castro), boêmio pai de família e colaborador da ditadura militar; Arnaud (Guga Patriota), adolescente envolvido com um grupo de justiceiros; e Sebastião (Murilo Sampaio), fotógrafo negro e gay que perdeu o amor de sua vida. “O que une esses três homens, na minha visão de documentarista, pesquisadora, poeta, é a experiência da violência”, afirma a realizadora Letícia Simões.
Segundo a diretora, a semente do projeto surgiu durante a pesquisa do documentário Casa (2019), ensaio de autoficção em que a diretora abordou conflitos geracionais a partir da relação com a mãe e a avó. Foi nesse processo que descobriu fotografias feitas por Sebastião ⎯ imagens que atravessam boa parte do século 20 e que abriram caminho para a investigação sobre silêncios familiares e memórias apagadas.
“Através de um exercício de encarar uma imagem e escutá-la, interrogá-la, atravessá-la. Mesmo sabendo que uma imagem, por fim, é silenciosa. Só nos resta indagar, criar os acontecimentos em torno dela”, argumenta a cineasta.
A Vida Secreta de Meus Três Homens: * * *
COTAÇÕES
* * * * * ótimo * * * * muito bom * * * bom * * regular * ruim
Assista ao trailer de A Vida Secreta de Meus Três Homens: