Vencedor do Prêmio do Júri Melhor Filme de Ficção na 48º Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o filme Hanami (2024) leva para as telas as belas paisagens de Cabo Verde. O longa da diretora portuguesa Denise Fernandes mostra o cotidiano de uma garota morando em um vilarejo entre o mar e as rochas vulcânicas, resistindo às ondas de imigração que acabam levando as pessoas que estima.
Rodado no arquipélago cabo-verdiano na Ilha do Fogo, Hanami acompanha o crescimento de um menina criada pela avó depois que o pai pescador morreu afogado e a mãe emigrou para a Europa. Já adolescente, Nana (Sanaya Andrade) observa as vagas que levam e trazem os moradores: alguns planejam deixar a ilha e tentar a sorte em Portugal, França e Américas; outros retornam para visitar os parentes ⎯ caso de sua mãe Nia (Alice Da Luz). Conectada com a vida, a natureza, os costumes e as mitologias do local onde nasceu, Nana não pensa em abandonar o lar.

Ganhador do prêmio de Melhor Diretor Emergente no Festival de Locarno, Hanami evoca um mundo particular, ao mesmo tempo realista e mágico. A imagem de um vulcão ativo como pano de fundo confere um aspecto lunar e primordial ao cenário, explorado pelo filme por meio de alegorias, referências a tradições ancestrais e derivações poéticas ⎯ como a inusitada presença de um vulcanólogo japonês, personagem cujo sobrenome Mizoguchi remete ao célebre cineasta nipônico, realizador de obras-primas como Contos da Lua Vaga (1953), O Intendente Sansho (1954) e Os Amantes Crucificados (1954).
O próprio título do filme é uma referência oriental: a palavra "hanami" denomina o costume tradicional japonês de contemplar a beleza das flores, especialmente o desabrochar das cerejeiras, a "sakura", celebrado com piqueniques e festas sob a copa das árvores.


Hanami: * * *
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