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Hernandez lança “Apneia” no dia 8 de maio

Primeiro trabalho do músico tem a cidade de Porto Alegre como plano de fundo

Hernandez lança “Apneia” no dia 8 de maio
Hernandez | Foto por Marti Mombelli

O músico, escritor e pesquisador da memória cultural de Porto Alegre, Hernandez, lança no dia 8 de maio o álbum “Apneia”, seu primeiro trabalho solo após a trajetória com a banda Lítera. Com 16 faixas, o disco nasce de uma experiência pessoal com distúrbios do sono e se estrutura como uma obra guiada por uma atmosfera de lembranças.

Mais do que um álbum conceitual, “Apneia” dialoga diretamente com a cidade. Porto Alegre aparece como pano de fundo recorrente das composições, atravessando cenários, memórias e estados emocionais. As canções constroem imagens que remetem à paisagem urbana, aos deslocamentos e às camadas invisíveis da capital gaúcha, elemento que já marca a atuação de Hernandez em outros projetos.

Capa Apneia (2026) por Marti Mombelli

Além da música, o artista tem presença consolidada na cena cultural da cidade. É criador da caminhada Porto Alegre Mal Assombrada, experiência que propõe uma imersão histórica e sensorial pelo centro da cidade, resgatando narrativas esquecidas. Também é idealizador do Café Mal Assombrado POA, espaço dedicado à memória, à cultura e ao imaginário urbano. Recentemente, passou a atuar como sócio permissionário do Viaduto Otávio Rocha, ampliando sua relação direta com um dos pontos mais simbólicos do centro histórico.

O álbum transita entre diferentes linguagens sonoras, sem se fixar em um único gênero. As composições incorporam elementos do rock alternativo, música ambiente e referências latinas como bolero, tango e milonga, sempre com foco na construção de uma experiência sonora. Cada faixa se organiza a partir de um recorte específico, acompanhando a lógica narrativa do disco.

A origem do projeto está na experiência do artista com a apneia do sono, condição que alterou sua relação com o corpo, o silêncio e a rotina. As músicas começaram a surgir ainda em 2021 como fragmentos de texto e foram organizadas em formato de álbum no último ano. Segundo Hernandez, o disco parte de uma vivência concreta e contínua. Dormir conectado a um aparelho e depender de uma máquina para respirar transforma a percepção do tempo, do descanso e da própria existência.

A sonoridade marca também um afastamento em relação ao trabalho desenvolvido com a Lítera. Neste projeto solo, Hernandez explora novas formas de composição, interpretação e arranjo, buscando uma identidade mais íntima. Entre as referências que atravessam o disco estão Rodrigo Amarante, Júpiter Maçã, Dolores Duran e Los Panchos.

A faixa “Casa de Madeira”, que abre o álbum, funciona como chave de leitura da obra, articulando memória, infância, morte e inquietação, temas que percorrem todo o trabalho.

Hernandez afirma que o disco não foi pensado a partir de estratégia de carreira, mas como uma necessidade criativa. O projeto surge como forma de organizar experiências, tensões e percepções acumuladas ao longo dos anos, resultando em um trabalho que considera o mais livre de sua trajetória.

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