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"Living the Land" despede-se da China rural e ancestral

Filme levou o Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim

"Living the Land" despede-se da China rural e ancestral
Autoral Filmes/Divulgação

Ganhador do Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim, o belo e comovente Living the Land (2025) é o réquiem de um país que não existe mais: a China rural anterior à revolução tecnológica e ao crescimento econômico. A partir de suas memórias de infância, o diretor e roteirista Huo Meng acompanha um menino que testemunha as profundas transformações nacionais a partir da vida de sua aldeia de camponeses no começo dos anos 1990.

A história de Living the Land se passa em 1991, em uma comunidade de agricultores ainda ligada a tradições ancestrais, mas ao mesmo tempo afetada pela chegada da modernidade e pelas políticas estatais ⎯ como as rígidas políticas de cobranças de impostos e de planejamento familiar. Chuang (Wang Shang), de 10 anos, vive com parentes vila porque seus pais migraram para o sul em busca de emprego na cidade.

Autoral Filmes/Divulgação

Enquanto as estações do ano e os ciclos da vida ⎯ nascimento, casamento, morte ⎯ se alternam, Chuang e os habitantes observam as mudanças: máquinas começam a substituir o trabalho manual, ao mesmo tempo em que recursos necessários para a produção industrial, como o petróleo, disputam espaço com o ancestral cultivo da terra.

"O filme explora o profundo impacto desse momento histórico nas tradições, emoções e relacionamentos do povo chinês. Como um vento imparável, essas mudanças varreram todos os aspectos da vida. A história e as emoções do filme estão enraizadas em séculos de história, cultura e tradição, ao mesmo tempo que refletem a mentalidade da sociedade chinesa contemporânea", explica o realizador Huo Meng.

Autoral Filmes/Divulgação

O chinês estreou no longa-metragem Crossing the Border ⎯ Zhaoguan (2018), filme selecionado pelo cineasta Jia Zhangke para ser exibido no 70º Festival de Berlim como parte da programação especial On Transmission. "Eu queria retratar como, quando políticas sociais coletivistas colidiram com tradições moldadas ao longo de milênios, as pessoas foram forçadas a se adaptar de maneiras que desafiaram seu próprio modo de vida. Também senti que era importante retratar as imensas pressões que as mulheres enfrentaram, tanto social quanto fisicamente, que deixaram danos duradouros e irreversíveis", acrescenta Huo.

O diretor olha com simpatia e compaixão para todos os muitos personagens de Living the Land, ressaltando como a empatia e o apoio mútuos tornam-se decisivos para que a comunidade não sucumba diante do inexorável avanço dos novos tempos. Merece destaque a exuberante fotografia colorida do filme e os movimentos de câmera fluidos, que passeiam com desembaraço por amplas paisagens e interiores domésticos ⎯ colocando o espectador na posição de visitante privilegiado de um modo de vida simultaneamente longínquo e próximo no tempo.

Autoral Filmes/Divulgação
Autoral Filmes/Divulgação

Living the Land: * * * * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de Living the Land:

Roger Lerina

Roger Lerina

Jornalista e crítico de cinema. Editou de 1999 a 2017 a coluna Contracapa sobre artes, cultura e entretenimento, publicada no Segundo Caderno do jornal Zero Hora.

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