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Musical “Domingo no Parque” celebra Gil e a cultura negra brasileira

Montagem de Alexandre Reinecke, com direção musical de Bem Gil, será apresentada nos dias 25 e 26 de julho, no Teatro FIERGS

Musical “Domingo no Parque” celebra Gil e a cultura negra brasileira
Foto: Priscila Prade

Os personagens da canção Domingo no Parque, de Gilberto Gil, ganham vida em um espetáculo dirigido por Alexandre Reinecke, com direção musical de Bem Gil. Em cartaz nos dias 25 e 26 de julho, no Teatro FIERGS, a montagem celebra a cultura negra brasileira e tem como pano de fundo a ditadura militar.

A trama de Domingo no Parque – Um Musical Brasileiro se passa em Salvador, no início dos anos 1970. No bairro da Ribeira, João, José e um  grupo de amigos se reúnem para jogar capoeira. Ex-companheira de João, Juliana agora namora José. Cantora e integrante de movimentos de oposição ao regime, ela passa a ser vigiada pelos militares.

“O palco é dividido em espaços: a casa do João, a casa do José, a barraca da feira, a construção onde o João trabalha e o palco do bar onde a Juliana canta”, descreve Reinecke, que passou três décadas desejando adaptar o clássico tropicalista de Gil. “É o projeto da minha vida”, resume.

Foto: Priscila Prade

Capoeirista desde os 14 anos, Reinecke começou a estudar teatro ainda na adolescência. Foi nessa época que surgiu a vontade de unir as paixões e criar um musical sobre a capoeira, um dos temas centrais de Domingo no Parque. A canção, apresentada por Gilberto Gil no 3º Festival da Música Popular, da TV Record, em 1967, é considerada um marco da Tropicália por combinar violão, berimbau e guitarra elétrica, em arranjo de Rogério Duprat, com participação d’Os Mutantes

“A música já conta uma história. Tem essa ideia da roda: a roda-gigante, a roda de capoeira, a roda da vida”, destaca Reinecke. Em 1995, ele escreveu a primeira versão da peça. Anos depois, conseguiu fazer o texto chegar às mãos do compositor baiano, que lhe telefonou. “Achei que era um amigo tirando sarro. Aí ele falou: ‘Não, é o Gilberto Gil mesmo. Estou ligando para dizer que gostei muito do texto. Vamos tocar isso’”, relembra.

Foto: Priscila Prade

O repertório inclui 10 canções de Gil e músicas de Carlos Lyra, Dominguinhos e Anastácia, Dorival Caymmi, Jorge Ben Jor, Chico Buarque, Tom Jobim e Jackson do Pandeiro. “Minha mãe foi uma líder feminista, ligada ao movimento estudantil. Coloquei músicas que ela cantava nas reuniões que aconteciam lá em casa”, revela o diretor.

Um dos destaques é Canção do Subdesenvolvido, de Carlos Lyra. “É uma ironia ao imperialismo inglês e americano no Brasil durante a ditadura”, diz Reinecke. Há ainda composições do diretor em parceria com Bem Gil, concebidas para o espetáculo. “O Bem é um príncipe de generosidade, educação e gentileza. Trouxe muitas referências, sugeriu músicas novas e ainda escrevemos três músicas juntos.”

Com elenco formado majoritariamente por atrizes e atores negros, o espetáculo incorpora referências à capoeira, ao candomblé e aos orixás. “Temos elementos ligados a Iansã e Iku. A avó do José, que o criou, é mãe de santo. Buscamos mostrar um pouco da cultura negra, que é tão rica e importante para a nossa história”, afirma o diretor.

Foto: Priscila Prade

O elenco do musical reúne Ananza Macedo (Mãe Preta), Badu Morais (Juci) Rebeca Jamir (Juliana), Jean Amorim (João) e Wesley Guimarães (José), com coro formado por Anastácia Lia, Denise Fersan, Fernando Rubro, Jack Mandinga, Mestre Tyson, Renée Natan, Sangela Nunes e Will Anderson (coro).

“Domingo no Parque – Um Musical Brasileiro”
Quando: 25 de julho, às 20h, e 26 de julho, às 18h
Onde: Teatro FIERGS (Av. Assis Brasil, 8787 – Sarandi – Porto Alegre)
Classificação: 12 anos
Duração: 120 minutos
Ingressos: R$ 200 (inteira), à venda online
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Ricardo Romanoff

Repórter e editor de Cultura na Matinal. Também é tradutor, com foco em artes e meio ambiente, além de trompetista de fanfarra nas horas vagas. Contato: ricardo@matinal.org

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