A pós-verdade como ferramenta de manipulação social é um dos vetores do documentário Orwell: 2 + 2 = 5 (2025). O filme revisita a obra e as ideias do autor inglês George Orwell (1903 ⎯ 1950), cujos livros se tornaram referência na reflexão sobre o totalitarismo, a vigilância dos poderosos e a manipulação da verdade. A direção e roteiro são de Raoul Peck, realizador haitiano do antológico Eu Não Sou Seu Negro (2016), indicado ao Oscar de melhor documentário.
Em sua nova produção, o cineasta se debruça em dois títulos clássicos de Orwell: A Revolução dos Bichos (1945) e 1984 (publicado em 1949). Escritas hás mais de 70 anos, essas obras de ficção soam atuais em uma época de líderes populistas e o advento das fake news.

Narrado por Damian Lewis, ator de séries como Irmãos de Guerra e Homeland, o documentário destaca a condenação de Orwell aos governos totalitaristas, seus sistemas de contínua vigilância e a manipulação da verdade. O título Orwell: 2 + 2 = 5 refere-se ao conceito-síntese do duplipensar, perverso sistema de distorção da realidade e controle do pensamento imaginado pelo escritor no romance distópico 1984.
No filme, Peck costura a trajetória pessoal e literária de Orwell com imagens contemporâneas, traçando paralelos entre episódios e conceitos descritos pelo escritor a os eventos contemporâneos ⎯ citando autocratas de diversas épocas, como Pinochet, Orbán, Putin e Trump.

Orwell: 2 + 2 = 5: * * * *
COTAÇÕES
* * * * * ótimo * * * * muito bom * * * bom * * regular * ruim
Assista ao trailer de Orwell: 2 + 2 = 5: