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Política e cinema se confundem em "Águias da República"

Thriller acompanha astro egípcio que protagoniza filme sobre o ditador do país

Política e cinema se confundem em "Águias da República"
Imovision/Divulgação

Exibido na competição oficial do Festival de Cannes deste ano, Águias da República (2025) encerra a "Trilogia do Cairo" do diretor sueco de origem egípcia Tarik Saleh. O suspense político acompanha os perigos que um ator de cinema enfrenta quando é forçado a estrelar um filme glorificando o ditador do seu país, em uma intriga que envolve chantagens palacianas, um romance proibido com a esposa de um general e a impiedosa vigilância do Estado.

Em Águias da República, George Fahmy (Fares Fares) é o ator mais adorado do Egito, vaidoso e mulherengo conhecido como "Faraó das Telas", que recebe uma proposta a qual não tem opção de recusar: encarnar no cinema o presidente do país em um filme glorificando a imagem do líder nacional. Mesmo contra sua vontade, o astro é obrigado a aceitar o papel.

Imovision/Divulgação

A proximidade com as lideranças políticas durante as filmagens aproxima George do círculo íntimo do poder egípcio, levando-o a se comprometer com articulações de bastidores e a iniciar um caso com a esposa do ministro da Defesa que supervisiona a produção, a bela e misteriosa Suzanne (Zineb Triki).

Águias da República fecha o tríptico de títulos do realizador Tarik Saleh que têm a capital egípcia como pano de fundo e que inclui O Incidente no Nile Hilton (2017), vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance, e  Garoto dos Céus (2022), ganhador do melhor roteiro em Cannes. 

Religião e poder estão aliados em "Garoto dos Céus"

Imovision/Divulgação

Por conta da tensão política no Egito, o longa foi rodado em Istambul, na Turquia, e em Gotemburgo, na Suécia. Em 2015, o diretor e roteirista foi expulso do país pelo atual presidente, Abdel Fattah el-Sisi, retratado em Águias da República. “Quando El-Sisi chegou ao poder por meio de um golpe militar em 2013, a primeira coisa que fez foi decidir que o exército assumiria o controle da indústria cinematográfica. Como medida inicial, fez uma série de televisão de propaganda sobre a ascensão de El-Sisi ao poder”, contou Salek em entrevista. 

O longa não foi exibido no Egito, mas é o representante oficial da Suécia para o Oscar deste ano.

Imovision/Divulgação

Águias da República: * * *

COTAÇÕES

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Assista ao trailer de Águias da República:

Roger Lerina

Roger Lerina

Jornalista e crítico de cinema. Editou de 1999 a 2017 a coluna Contracapa sobre artes, cultura e entretenimento, publicada no Segundo Caderno do jornal Zero Hora.

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