Pioneiro projeto de cinema movido a energia solar já levou cinema a mais de 450 mil pessoas em 23 estados, além do Distrito Federal, especialmente em comunidades que têm pouco ou nenhum acesso a equipamentos culturais. Este ano, o CineSolar visitará 180 cidades em 11 estados do País.
Lançado pela Brazucah Produções, há 12 anos o CineSolar - o primeiro cinema itinerante do Brasil movido a energia solar - transforma espaços públicos e abertos em salas de cinema. As sessões são na maioria das vezes realizadas em comunidades, vilarejos e pequenas cidades com pouco acesso a equipamentos culturais. Algumas foram realizadas em lugares onde não havia nem mesmo luz elétrica.
A temporada deste ano será aberta em grande estilo, com a exibição de “Agente Secreto”, do diretor Kleber Mendonça Filho, com o ator Wagner Moura no papel principal. Acontece nesta segunda-feira, 23 de março, às 19h, na Liga Solidária, ONG que oferece educação e assistência social para populações de baixa renda, na av. Eng. Heitor Antônio Eiras Garcia, 5985, no Jardim Esmeralda, em São Paulo. Estão previstos 200 dias de atividades do projeto, de março a novembro, na temporada 2026, com eventos em 180 cidades de 11 estados nas regiões do Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul), Nordeste (Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) e Sul (Rio Grande do Sul), viabilizadas por patrocínio via leis de incentivo à cultura: Lei Rouanet e Proac-ICMS, assim como por contratação direta. Os eventos são sempre com entrada gratuita.
Após o evento na Liga Solidária, o projeto segue inicialmente para as seguintes cidades no estado de São Paulo: São Manuel, no dia 24 de março; Botucatu, 25 de março; Dois Córregos, 26 de março; Santa Bárbara d’Oeste, 27 de março; Rafard, 28 de março; Piracicaba, 29 de março e Americana, 31 de março. Nessas cidades, o projeto exibirá um festival de curtas-metragens e o filme “Divertida-Mente 2”.
O CineSolar utiliza energia limpa e renovável para exibições de filmes, unindo arte, cinema e sustentabilidade. Tudo funciona a partir de uma van equipada com placas fotovoltaicas (placas solares) que possibilitam, através de um sistema conversor de energia solar para elétrica, a exibição de filmes e apresentações artísticas. No interior do veículo, há 100 assentos encaixados uns sobre os outros e telão dobrável de 200 polegadas.
Quando tudo é levado para fora, praças e espaços públicos se transformam em salas de cinema ao ar livre e as vans se tornam espécies de museus-escolas, com infográficos e monitores que mostram ao público, com destaque para as crianças e adolescentes, como funciona o carro. Dentro da van, infográficos e dois monitores mostram como funciona o carro e são passadas informações sobre os princípios básicos da energia solar (por exemplo: como a energia solar se transforma em energia elétrica). Além disso, são mostrados produtos de sustentabilidade e tecnologias renováveis, com aplicações práticas no dia a dia, como um instigante relógio de batatas.
Em algumas das cidades, o CineSolar realiza no período da tarde oficinas de cinema – Oficinemas Solares – para estudantes e público em geral. Nessas ocasiões, à noite são exibidos o filme anunciado e o vídeo produzido na oficina.
O projeto, que cumpre 10 dos 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), já percorreu 403.971 quilômetros pelo país e atua com o objetivo de democratizar o acesso às produções audiovisuais (principalmente as nacionais), promover ações e práticas sustentáveis, a inclusão social e difundir a tecnologia da geração de energia solar. Desde a sua estreia, realizou 3.304 sessões com exibição de 314 filmes, entre longas e curtas e 848 oficinas de cinema para mais de 458.850 pessoas, de 968 cidades em 23 estados e no Distrito Federal.
Toda a energia das sessões vem do sol e realizamos compensação de carbono pelas emissões de deslocamento das equipes. Até agora, o projeto compensou 68,6 toneladas de CO₂e, em parceria com a Ecooar, por meio do plantio de árvores e da certificação de créditos de carbono, com a manutenção de florestas, em áreas de preservação permanente, no município de Garça, no estado de São Paulo. Economizou quase cinco milhões de watt-hora em energia elétrica (4.900.800 watt-hora).
O CineSolar também promove ações em conjunto com a Unesco no Brasil e a Unipaz (Universidade Internacional da Paz). O projeto integra a Solar World Cinema, rede internacional de cinemas itinerantes movidos a energia solar.
“Recentemente, o diretor Kleber Mendonça destacou, durante a entrega do prêmio Globo de Ouro para o ‘Agente Secreto’, que é preciso que cada vez mais jovens cineastas no Brasil e no mundo contem histórias. Contar histórias é uma forma de cultura e de resistência. Temos acompanhado e festejado muito o crescimento do cinema nacional e seu reconhecimento cada vez maior no exterior. Ao mesmo tempo, esperamos cumprir o nosso papel de, além de trabalhar pelo meio ambiente, proporcionar que mais pessoas no Brasil possam assistir aos filmes brasileiros”, destaca Cynthia Alario, diretora da Brazucah Produções e idealizadora do CineSolar.
Segundo Cynthia, existe um paradoxo. “Enquanto nossos filmes conquistam visibilidade internacional, grande parte da população ainda encontra dificuldade para assisti-los”. Ela acrescenta: “Em 2023, segundo a Ancine, apenas 3% do público das salas de cinema assistiu a filmes brasileiros. Em 2024, esse número subiu para cerca de 10%, chegando recentemente a 11,2%. O avanço deve ser celebrado, mas ainda há muito a ser feito. Menos de 9% dos municípios do país possuem salas de cinema. Mesmo nesses casos, elas se concentram em regiões de maior renda. Para milhões de brasileiros, a experiência mágica de assistir a um filme numa tela grande e compartilhar emoções com outras pessoas muitas vezes não acontece”.
De acordo com a idealizadora do projeto, levar cinema a lugares onde ele nunca chegou é uma forma de ampliar o acesso ao audiovisual e permitir que mais brasileiros contem e assistam a essas histórias e se reconheçam nelas. “É um orgulho ver o cinema brasileiro ser assistido e celebrado em tantos países. Será mais bonito ainda quando mais brasileiros puderem assistir aos filmes. Como ensina a canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, a arte precisa ir aonde o povo está”, afirma.