Mestre incontestável da narrativa cinematográfica clássica, Steven Spielberg retorna em grande forma com Dia D (2026) à ficção científica, um dos gêneros em que melhor expressa sua arte. O novo filme do cineasta é um thriller conspiratório que equilibra ação e suspense com especulações filosóficas e fascínio pela mística dos extraterrestres.
A trama de Dia D foca em Margaret Fairchild (Emily Blunt), uma meteorologista televisiva de Kansas City que é jogada para o centro de uma crise global quando em uma previsão do tempo súbita e inconscientemente transmite uma mensagem cifrada de origem alienígena.

Ao mesmo tempo, o analista de segurança digital Daniel Kellner (Josh O'Connor) tenta expor uma rede de segredos governamentais dos Estados Unidos que esconde há décadas a presença de ETs na Terra.

Mesmo não se conhecendo, Margaret e Daniel acabam se unindo com o objetivo de se juntarem ao grupo de especialistas dissidentes liderados por Hugo Wakefield (Colman Domingo) e revelarem ao mundo suas espantosas descobertas. Enquanto a humanidade lida com a iminência de um conflito bélico de proporções planetárias, uma poderosa empresa associada ao governo estadunidense e liderada pelo executivo Noah Scanlon (Colin Firth) tenta impedir que a verdade venha à tona.

O roteiro de David Koepp, que trabalhou com Spielberg em filmes de grande escala como Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993) e Guerra dos Mundos (2005), alterna sequências de frenéticas perseguições de carros com questionamentos de fundo moral, existencial e religioso. O personagem de Jane (Eve Hewson), ex-noviça que se junta ao namorado Daniel em sua fuga, oportuniza ao enredo apresentar debates intrigantes sobre o impacto da descoberta de vida em outros planetas na fé das pessoas.
Mesmo sem repetir o hipnotizante clima de mistério de Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977) ou o encantamento arrebatador de E.T.: O Extraterrestre (1982), Spielberg prova mais uma vez em sua nova aventura um talento único para produzir blockbusters que, a despeito da espetacularidade, alicerçam a força da narrativa em personagens comuns movidos por sentimentos e ideias humanistas.

Se por vezes Dia D patina e a narrativa parece não avançar, seu desfecho é empolgante: o terceiro ato transcendental transborda força emocional, configurando o longa não como história de monstros espaciais, mas uma fábula sobre a nossa incapacidade de olhar para o lado – ou para o alto – e ver com empatia o outro, o diferente, a alteridade.

Dia D: * * * * *
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