O segundo álbum da cantora e compositora Viridiana celebra a entrega aos relacionamentos e seus encantos, riscos, frustrações e transformações, ao longo de dez faixas que serão apresentadas nesta sexta-feira (10/10), às 22h, em show gratuito no Workroom. Com sonoridade pop que remete às pistas de dança, o novo trabalho da artista aborda momentos de fragilidade emocional como ponto de partida para explorar o desejo e novas experiências.
Coisas Frágeis começou a ser concebido no final de 2023, após uma turnê de Viridiana com a banda recreio. “Achava que meu lance era estúdio e que talvez nem precisasse fazer shows. Mas depois de passar um mês tocando minhas músicas em inferninhos com a recreio, vi que isso era muito mais legal”, conta a artista, que gravou o novo álbum com três integrantes da recreio – André Garbini (bateria), Bernard Simon (baixo) e Ricardo de Carli (sintetizadores) –, participações de CATTO e Clarice Falcão nos vocais e de Jojô Inácio e Navalha Carrera nas guitarras.
“Tivemos muito esmero no processo. Queríamos gravar músicas que gostamos de ouvir. Entramos no estúdio já sabendo o que queríamos, e isso fez a diferença”, afirma Viridiana. “No Transfusão, eu estava me descobrindo. Em Coisas Frágeis, estou descobrindo o mundo e outras pessoas. Queria mostrar como é ser uma travesti apaixonada, de coração partido, que pode explorar todas essas emoções. Encontrei um foguinho de composição que estava apagado há muito tempo”, explica a cantora, citando seu álbum de estreia, lançado em 2021 – relembre a entrevista.

O novo trabalho, além de impulsionado pelas vivências da turnê com a recreio, nasce do término de uma relação que marcou o início da vida adulta da cantora, hoje com 26 anos. Durante a separação, pilhas de caixas de papelão com a indicação de frágil foram um dos insights para o nome do álbum.
“Coisas Frágeis tem muito a ver com uma jornada pessoal minha. Vivi um longo relacionamento entre os 15 e 22 anos, que acompanhou eu sair da escola, minha graduação, virar artista e fazer a transição de gênero. Foi uma relação essencial, mas que também me protegeu de muita coisa. Precisava viver outras experiências”, revela a artista.
“Sou muito da geração Z, com responsabilidade afetiva e tudo conversado, o que também faz as coisas serem um pouco mais sem graça. Em Coisas Frágeis, tentei imaginar também meu lado mais despirocado”, diverte-se Viridiana, que abre o álbum descrevendo um encontro com todo jeito de que pode dar errado, mas que convida ao risco – “que mal vai me fazer mais um erro calculado”.
“Tem esse vai e volta, esse puxa e empurra que às vezes acontece na vida e sabemos que não é o mais saudável. A Coisas Frágeis acaba aprendendo isso na marra”, diz a cantora, que ao transformar o título do álbum em nome de personagem, ressalta o caráter narrativo do trabalho, que percorre diferentes fases de um relacionamento.
“Escrever as músicas fez eu me colocar em contato de novo com o jogo e as dinâmicas da sedução, que podem ser agressivas, mas são instigantes e estão no cerne da performance e da música pop. Fomos tecendo narrativas sonoras e imaginando o que tocaria na festa onde essas pessoas se conhecem, qual música elas ouvem enquanto choram as mágoas no banheiro”, diz Viridiana, que pensou o álbum para os palcos e pistas de dança, tendo entre suas referências Pet Shop Boys, Marina Lima e LCD Soundsystem.

A montanha-russa de emoções de Coisas Frágeis também contempla o desejo de sair da pista em Eu Não Quero Dançar, letra de Pedro Cassel, que conta uma transição do comportamento FOMO – medo de perder alguma coisa – para o JOMO – alegria por ficar de fora, em tradução livre das siglas em inglês. Em bom português, nas palavras do compositor e amigo de Viridiana, “Se alguém quiser, que queira/ Eu não vou dançar a noite inteira”.
Como em uma festa que atravessou a madrugada, o álbum vai aos poucos se tornando mais solar na segunda metade formada por Coisas Frágeis, Erro, Final Feliz, Você Puxou Meu Tapete e Antigamente. Para tornar ainda mais vivo o clima noturno do disco, o show de lançamento no Workroom dá lugar, na sequência, à festa Alfinete, comandada por Luiza Pads, Piet e Jojô, referência da cena queer de Porto Alegre, da qual Viridiana é DJ residente. “As vivências como DJ nessa festa informam muita coisa que está no disco. Me ajudaram a entender como as pessoas se relacionam com a música e se apaixonam na festa.”
Os ingressos gratuitos para curtir Coisas Frágeis e a festa Alfinete estão disponíveis até as 20h de sexta-feira (10/10) pela plataforma Sympla.
