Provando que as coisas são a medida de todos os homens – e não o contrário –, nesta edição o pontapé inicial é dado por José Mário Neves. A partir do argumento de Protágoras, de uma pergunta de sua filha e reflexões sobre dinheiro, ele aproxima Giorgio Agamben de Mano Brown. O primeiro diz que Deus tornou-se o capital. O segundo cantou, décadas antes, que em São Paulo uma nota de 100 reais equivale a essa mesma divindade. No mundo de Agamben e Brown, “as coisas ganham vida e agência e as pessoas portam-se como coisas”, afirma Neves.
Outra colaboradora interessada em descobrir a medida das coisas é Helena Terra, que chega com o segundo capítulo de seu folhetim – aqui, a narradora revela ter a idade “com que Dante colocou Virgílio para enfrentar o inferno, o purgatório e o paraíso”.
Quase tudo um pouco estranho até agora, sensação que também permeia a crônica de Luís Augusto Fischer, que decidiu expor em quatro edições as mais recentes impressões durante viagem a Paris.
Com pés no Rio Grande do Sul, Carlos Gerbase nos conta como se aproximou de Wim Wenders e acabou com duas fotos autografadas. Foi a long time ago, tal qual está escrito em uma das imagens carinhosamente guardadas em seu acervo.
Jandiro Koch encerra o texto sobre Djalma do Alegrete, e Carlos André Moreira fala de dois livros que leu no último mês, além de analisar os motivos da desistência perante algumas obras. Também leitor dedicado, Juremir Machado da Silva revisita um tema que sempre deu o que falar, base do livro Setembro negro, do italiano Sandro Veronesi.
Nos artigos desta edição, Márcio Chagas, Thiana Orth e Carlos Simon refletem sobre a profissionalização da arbitragem no futebol brasileiro, e Álvaro Magalhães se debruça sobre dados, polarizações e o incentivo à cultura.
Antes da partida: Selvino Heck homenageou o Frei Sérgio Görgen, seu amigo e criador do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), que faleceu na última terça-feira. Vale a leitura.
Bom final de semana!
Confira todos os textos da edição #312
- Os Homens e as Coisas, por José Mário Neves
- Estranhando Paris, por Luís Augusto Fischer
- Histórias de Autógrafos: Wim Wenders em duas fotos de seus filmes, por Carlos Gerbase
- Djalma do Alegrete: “O último abacaxi que lancei na sociedade de consumo internacional” – Parte II, por Jandiro Koch
- De Recibo de Pagamento Autônomo para Contrato por Temporada, por Márcio Chagas e Thiana Orth
- Lei Rouanet, dados e polarizações, por Álvaro Magalhães
- A medida das coisas humanas – Capítulo II, por Helena Terra
- A honestidade de desistir, por Carlos André Moreira
- Romance de Sandro Veronesi reinventa o tema do primeiro beijo, por Juremir Machado da Silva