Olá! Os registros de violência contra indígenas cresceram em 2025, como mostra relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgado na última semana. Mas a violência não se dá apenas nas formas mais visíveis: o Rio Grande do Sul é o estado com maior número de casos de omissão na assistência à saúde de indígenas. Você também vai ler:
🧳 Turismo gaúcho bate recorde e amplia presença na metade Sul
🎙️ Mônica Salmaso homenageia Elizeth Cardoso no show “Senhora das Canções”
🪸 Primeiro banco genético de corais do Atlântico Sul pode proteger recifes ameaçados
🎭 O Fim da Rua é o fim da picada, em resenha de Roger Lerina
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RS é o pior estado em assistência à saúde indígena e o 2º pior em educação
A violência contra os povos indígenas se agravou no último ano. O Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas de 2025, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), registrou aumento nos assassinatos (258), suicídios (215) e óbitos de bebês e crianças de até quatro anos (1.024), em comparação com 2024. Do total de mortes infantis, 57% são consideradas evitáveis, devido a causas como pneumonia, gripe, doenças gastrointestinais e desnutrição.
Os conflitos relacionados a direitos territoriais cresceram e atingiram 143 Terras Indígenas em 23 estados. O Rio Grande do Sul lidera esse ranking, com 25 casos, e também registrou o maior número de casos de desassistência na saúde do país – 27 registros que vão da falta de saneamento básico ao abandono das unidades de saúde.
Um exemplo é Guarita, no Noroeste gaúcho: com 8 mil habitantes, a maior terra indígena do Sul não tem acesso a medicações básicas e denuncia o abandono em todas as suas UBS. O RS é ainda o segundo estado com mais casos de desassistência na educação, atrás apenas do Amazonas.
A omissão na saúde é agravada pela contaminação ambiental por agrotóxicos. As 20 famílias da comunidade Nhu Poty, em Barra do Ribeiro, vivem entre uma área cedida em comodato e outra às margens da BR-116, com a água contaminada por lavouras de arroz e ameaçadas pelo cultivo de eucaliptos de uma empresa de celulose. O avanço de empreendimentos sobre terras indígenas (TI) sem consulta adequada também é citado como violência patrimonial: o relatório menciona o projeto da CMPC em Barra do Ribeiro, a duplicação da BR-290 em Eldorado do Sul e a instalação de um lixão próximo à TI Jataity.
"No RS, não temos a mesma realidade de contaminação por mercúrio de outras regiões do país. Mas isso não significa ausência de riscos: muitas comunidades indígenas vivem em terras próximas a grandes plantios de soja, milho e arroz. A grande maioria das áreas é reduzida, degradada ou situada às margens de grandes empreendimentos e cidades, sofrendo na pele os efeitos dos agrotóxicos e da contaminação das águas e do solo", aponta Roberto Liebgott, do Cimi Sul, um dos organizadores do relatório.
A morosidade na demarcação é apontada como fator central da vulnerabilidade. O RS não tem nenhuma terra homologada: são 29 TIs aguardando constituição de grupos de trabalho e 54 sem qualquer providência para regularização – o que coloca o RS na terceira pior posição no ranking nacional neste quesito.
O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Turismo gaúcho bate recorde e amplia presença na Metade Sul
Em 2025, o turismo no Rio Grande do Sul faturou R$ 17 bilhões – um recorde, segundo dados do Conselho Regional de Economia do Estado (Corecon-RS). Uma pesquisa internacional realizada pela Marca Brasil no Mundo 2026 apontou que a Região Sul é o segundo território que mais fortalece a reputação do País no exterior, resultado do agronegócio e do turismo.
Atualmente, são mais de 118 mil negócios ativos relacionados ao setor do turismo em território gaúcho, de acordo com dados do Observatório do Turismo do Estado, e somente em 2025 foram abertas 21,5 mil novas empresas ligadas às Atividades Características do Turismo (ACTs).
“O Turismo diversifica a economia, traz novas possibilidades para empregabilidade e estimula novos empreendimentos”, destacou o professor Maguil Marsilio, coordenador do curso de graduação em Turismo da Universidade de Caxias do Sul, em entrevista à Matinal. “Estamos vivendo um momento de descentralização no crescimento do turismo gaúcho.”
O professor se refere ao crescimento do turismo na metade sul do estado, marcada por sua associação da paisagem do Pampa com a tradição da pecuária e da vinicultura. Desde 2021, a região conta com uma Rota dos Vinhos da Campanha Gaúcha, com 10 vinícolas – 31% dos vinhos finos produzidos no Brasil são da região, ficando atrás somente da Serra Gaúcha, com 59%.
“A metade sul do Estado – regiões como a Campanha Gaúcha, o Pampa e a Costa Doce – possui diferenciais para o turismo de experiência, patrimônio e riqueza histórica, bem como uma gastronomia singular. Os segmentos de Enoturismo, Oleoturismo (Rota dos Azeites), Turismo Rural e Estâncias Históricas apresentam muito da nossa história e fixam um lastro de valor agregado a tudo o que é formado como atrativo turístico. Ou seja, há um 'Turismo Gaúcho Raiz' muito bem feito e diferenciado”, afirmou Maguil.
Mônica Salmaso homenageia Elizeth Cardoso no show “Senhora das Canções”
A cantora Mônica Salmaso revisita o repertório de Elizeth Cardoso (1920–1990), uma das vozes mais marcantes da música popular brasileira, no show Senhora das Canções. A apresentação ocorre no dia 23 de agosto, às 19h, no Teatro do Bourbon Country.
O espetáculo integra a turnê do álbum Senhora das Canções – Um Tributo a Elizeth, lançado na última sexta-feira (14) nas plataformas digitais. Com 16 faixas e quase uma hora de duração, o disco percorre diferentes momentos da trajetória de Elizeth, que começou a carreira como cantora de rádio ainda nos anos 1930, interpretou obras de compositores como Pixinguinha, Ary Barroso e Noel Rosa e ficou conhecida pelos nomes Divina, Enluarada e Magnífica.
“O canto popular brasileiro tem uma coisa linda: ele não é padronizado esteticamente. A música brasileira é muito variada. Então, João Gilberto, Rosa Passos e Angela Maria são escolas de canto, assim como Elizeth Cardoso”, afirma Salmaso em entrevista à Matinal.Leia a entrevista completa:

Primeiro banco genético de corais do Oceano Atlântico Sul pode proteger recifes ameaçados
Pesquisadores da UFRGS, em parceria com o Instituto Federal da Bahia (IFBA), descobriram uma técnica capaz de salvar recifes ameaçados pela mudança climática: com o uso de temperaturas extremamente baixas para preservar material biológico, os cientistas desenvolveram um protocolo para armazenar 2,4 bilhões de espermatozoides do coral Mussismilia harttii (conhecido como coral-couve-flor), endêmico na costa brasileira e uma espécie-chave para a manutenção da vida marinha.
O congelamento de células reprodutivas em um banco, segundo o professor da Faculdade de Agronomia e Zootecnia Leandro de Godoy (que lidera o grupo ReefBank, responsável pelo estudo), permite manter “estoques de esperança”, e mostra que é possível armazenar por longos períodos o material genético sem perda da capacidade reprodutiva. Por meio da técnica, mesmo que os corais sofram com as degradações humanas no oceano, torna-se possível recuperar áreas estratégicas.
Depois do teste com o coral brasileiro, o próximo passo envolve a aplicação do método a outras espécies, servindo de base para programas nacionais de recuperação. Autora do estudo e orientanda de Godoy, Nayara Oliveira da Cruz percebe a ação como uma salvaguarda frente a um futuro incerto: “Na prática, isso funciona como uma verdadeira ‘Arca de Noé’.” Além da importância no mar, os corais ajudam a sustentar a pesca artesanal e o turismo e protegem o litoral contra a erosão.
Foto: Reprodução / Léo Francini
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CULTURA

“O Fim da Rua” é o fim da picada

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