Em processo de licenciamento de uma nova planta industrial de R$ 27 bilhões em Barra do Ribeiro, a multinacional chilena CMPC Celulose responde por 21 processos por infrações ambientais constatadas pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Em um dos casos, em Encruzilhada do Sul, o órgão aponta que “a empresa descumpriu praticamente todas as condicionantes relativas às adequações dos passivos ambientais”.
Com grande apoio empresarial e governamental, o novo empreendimento da gigante da celulose é chamado de “Projeto Natureza” e considerado o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul. O complexo industrial vem sendo criticado por ambientalistas devido a seus possíveis impactos ambientais, com a previsão de despejo de 242 milhões de litros de efluentes por dia no Guaíba, quantidade superior aos efluentes gerados pela população de Porto Alegre, e do aumento das plantações de eucalipto no Pampa. O Ministério Público Federal (MPF) também questiona o projeto por falhas no processo de licenciamento, que não envolveu consulta a indígenas e não considerou os impactos na Região Metropolitana.
O levantamento feito pela Matinal identificou os autos de infração em nome da CMPC no Sistema Online de Licenciamento Ambiental (SOL) da Fepam, a partir do primeiro registro disponibilizado, em novembro de 2017.