Confira todos os textos da edição #319
Elis Regina, 81, por Antônio Schimeneck
Cony 100 anos – A entrada no mundo, por Marina Ruivo
Um ficcionista indispensável, por Sergius Gonzaga
A imagem perdida, por Sergio Faraco
Era Lisboa e chovia, por Ivan Pinheiro Machado
Quino, a ditadura e além – dados sobre um pessimista atemporal, por Vinícius Rodrigues
Fases da vida: saudades imaginárias, por Juremir Machado da Silva
Legião Urbana: o extraordinário nada de mais, por Paulo Damin
É só Rock Gaúcho... mas foda-se!, por Arthur de Faria
A medida das coisas humanas – Capítulo IX, por Helena Terra
Escritor visceralmente comprometido com o mundo objetivo, Josué Guimarães desde os primeiros contos – publicados de modo esporádico nos anos 60 – buscou na matéria vertente do real o tema de suas ficções, ainda que certos elementos fantásticos irrompessem, aqui e ali, em algumas das obras que produziu.
Essa ânsia por um realismo abrangente originava-se das circunstâncias de sua formação literária, transcorrida no momento de recuo das vanguardas modernistas internacionais diante dos acontecimentos catastróficos da II Guerra e da possibilidade de um conflito nuclear nos pós-45. Abria-se então a chamada Guerra Fria, entre Estados Unidos e União Soviética. A vocação de Josué também fora estimulada por sua própria militância política (era combativo militante de esquerda), pelo candente debate ideológico do período e pela noção de compromisso que Sartre exigia dos escritores face às mazelas sociais geradas pelo sistema capitalista.
Uma vida intensa
Mas o esforço totalizante, presente em seus principais relatos, nascia igualmente de múltiplas e ricas experiências pessoais: jornalista que passara da reportagem à crônica e desta à analise política, tornando-se depois correspondente internacional e mais tarde criando seu próprio jornal (Dom Quixote); vereador do PTB; primeiro periodista brasileiro a ingressar na China continental, o que o levaria a uma aproximação com lideranças comunistas do RS; secretário do jornal A Hora, de Porto Alegre, vinculado ao PTB; e redator da MPM Propaganda. Além disso fora levado por Assis Chateaubriand para reformular o vespertino carioca, Diário da Noite, culminando a primeira parte de sua carreira como diretor da Agência Nacional (1961-1964), no governo João Goulart.