*A reportagem foi atualizada às 12h de 11/02/2026 para incluir canais de contato para denúncia de violência contra a mulher.
Para denunciar a violência do ex-companheiro em uma delegacia especializada, Juliana Proença, moradora de São Gabriel, teria de percorrer 115 quilômetros até Santa Maria, onde há uma Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM). Na cidade onde ela morava, não existe nenhuma DEAM. Juliana foi assassinada durante o feriado de Páscoa em 2025, quando 11 mulheres foram vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul.
A indignação com a brutalidade dos feminicídios daquele período levou seis deputadas federais gaúchas a formarem uma Comissão Externa sobre os Feminicídios ocorridos no Rio Grande do Sul. Nesta terça-feira (10), os resultados da comissão foram apresentados na Assembleia Legislativa do RS, pelas deputadas federais Fernanda Melchionna (PSOL), que coordenou os trabalhos, e Maria do Rosário (PT), que atuou como relatora.
Participaram do ato também as deputadas Denise Pessôa (PT) e Daiana Santos (PCdoB), subcoordenadoras na comissão. As deputadas Any Ortiz (Cidadania) e Franciane Bayer (Republicanos), também subcoordenadoras, enviaram representantes ao evento.
A partir de reportagens e audiências públicas, a equipe encontrou o que qualificaram como um vazio de políticas e serviços especializados no estado, o que permite que tragédias como a da Páscoa do último ano se repitam: até o momento, em 2026, 13 feminicídios já foram registrados no RS, um a cada três dias. O relatório aponta que 77,1% dos municípios gaúchos não contam com atendimento especializado.