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1903: A morte de Barros Cassal, memória e esquecimentos

Parêntese #313

1903: A morte de Barros Cassal, memória e esquecimentos
Fig. 1 – Esquerda: Barros Cassal, cerca de 1885, quando retornou do RJ para se fixar em Porto Alegre. Direita: Barros Cassal, cerca de 1892, quando fez parte da Junta Governativa que governou o RGS. Composição: Arquivos Arnoldo Doberstein, com fotos do acervo do Dr. Ronaldo Bastos, confrade do IHGRGS. Porto Alegre, RS. 

Em 19 de outubro de 1903, aos 45 anos e de hepatite crônica, no povoado de Nioaque, atual Mato Grosso do Sul, falecia João de Barros Cassal (Fig. 1). Cinco dias depois, em Porto Alegre, de câncer na traqueia e com 43 anos, falecia Júlio de Castilhos, com um cortejo fúnebre de milhares de seguidores e uma celebração monumental posterior sem paralelos. Do funeral de Cassal, o silêncio das fontes. Talvez sem exceder algumas dezenas de presentes, pois recém chegara, um ano antes, num povoado de alguns milhares de pessoas. Como entender tamanho disparate? Talvez na sua própria trajetória.

Nascido em Alegrete em 1858, de pai comerciante, órfão aos seis anos e desde os 14 residente na capital gaúcha, Cassal iniciou seu curso de Direito em São Paulo, e encerrou-o em Recife (1883), onde casou-se. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, advogou e militou na imprensa republicana. Em 1885 retornou a Porto Alegre, destacando-se como orador, articulista e Chefe de Polícia do primeiro governo provisório (Fig. 2), onde atuou duramente com a imprensa (prisão de Miguel de Werna) e com o contrabando de gado – o que enfureceu as oligarquias da campanha, com os quais se aliou anos depois. Desassombrado e de oratória agressiva, certa vez encarou um contingente militar que queria silenciar os músicos numa comemoração do 13 de maio, o que resultou num morto, um amputado e ele bastante ferido (A Federação, 14/5/1890, p.1). Enquanto se recuperava, A Federação empenhou-se em fazer dele um quase mártir republicano.