Confira todos os textos da edição #313
Nem toda mistura é boa, por José Damico
Geração Z não gosta de carnaval?, por Juremir Machado da Silva
“Ó, abre alas, que eu quero passar”: Dyrson Cattani, por Jandiro Koch
Estória enviesada, por Beatriz Marocco
Entre casa e marido, por Fernando Seffner
Histórias de Autógrafos: Michael Ruse em Levando Darwin a sério, por Carlos Gerbase
Pedaço de uma vida íntegra, por Luís Augusto Fischer
O “avô” dos estudos do livro e da edição no Brasil, por Ana Elisa Ribeiro
A medida das coisas humanas: Capítulo III, por Helena Terra
1903: A morte de Barros Cassal, memória e esquecimentos, por Arnoldo Doberstein
Em 19 de outubro de 1903, aos 45 anos e de hepatite crônica, no povoado de Nioaque, atual Mato Grosso do Sul, falecia João de Barros Cassal (Fig. 1). Cinco dias depois, em Porto Alegre, de câncer na traqueia e com 43 anos, falecia Júlio de Castilhos, com um cortejo fúnebre de milhares de seguidores e uma celebração monumental posterior sem paralelos. Do funeral de Cassal, o silêncio das fontes. Talvez sem exceder algumas dezenas de presentes, pois recém chegara, um ano antes, num povoado de alguns milhares de pessoas. Como entender tamanho disparate? Talvez na sua própria trajetória.
Nascido em Alegrete em 1858, de pai comerciante, órfão aos seis anos e desde os 14 residente na capital gaúcha, Cassal iniciou seu curso de Direito em São Paulo, e encerrou-o em Recife (1883), onde casou-se. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, advogou e militou na imprensa republicana. Em 1885 retornou a Porto Alegre, destacando-se como orador, articulista e Chefe de Polícia do primeiro governo provisório (Fig. 2), onde atuou duramente com a imprensa (prisão de Miguel de Werna) e com o contrabando de gado – o que enfureceu as oligarquias da campanha, com os quais se aliou anos depois. Desassombrado e de oratória agressiva, certa vez encarou um contingente militar que queria silenciar os músicos numa comemoração do 13 de maio, o que resultou num morto, um amputado e ele bastante ferido (A Federação, 14/5/1890, p.1). Enquanto se recuperava, A Federação empenhou-se em fazer dele um quase mártir republicano.