Porto Alegre é um dos poucos municípios brasileiros com um plano de ação climática: a capital gaúcha está entre as 15% das cidades do Brasil que têm planos de adaptação em nível municipal, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden). Mas o plano não assume a urgência que o tema demanda, tampouco se traduz em mudanças efetivas na vida da população, como apontam especialistas ouvidos pela Matinal.
Um dos exemplos são as medidas contra a escalada das temperaturas no verão porto-alegrense, incluídas no eixo POA Resiliente, que visa preparar a cidade para enfrentar as mudanças climáticas. Mesmo em um cenário onde ondas de calor adiaram as aulas em fevereiro de 2025, considerado o terceiro ano mais quente da história, o Plano Multissetorial de Resposta a Ondas de Calor só deve ser concluído daqui a quatro anos.
As ações do Plano de Ação Climática (Plac) são divididas em metas – algumas delas até distribuem a porcentagem da execução de cada objetivo que deve ser atingida em cada um dos próximos anos. Entretanto, quando trata do calor, não há estratégia anunciada no Plac para proteger os porto-alegrenses de temperaturas escaldantes antes de 2030. Ações como “estabelecer medidas de preparação e resposta emergencial diante da ocorrência de eventos climáticos extremos” não incluem o calor entre esses eventos extremos.