Confira todos os textos da edição #342
- O Sul no presente-futuro, por Clarissa Ferreira
- Canção de Palomas, por Juremir Machado da Silva
- Tordilha não vai a lugar algum. Ou: o que têm a dizer os inauditos, por Marília Kosby
- Música e racismo: dois momentos na história da Banda Municipal, por Álvaro Santi
- O rock gaúcho – Parte XVIII, por Arthur de Faria
- Heloisa Pires Lima, uma patrona griote, por Ana Paula Cecato de Oliveira e Larisse da Silva Moraes
- A dama da Duque – Capítulo II, por José Roberto Iglesias
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 16 – Parte II, por Gonçalo Ferraz
- Alan Alves Brito: “Sou um caçador de estrelas, que carrega uma flecha única”, por Luís Augusto Fischer
A conquista
- Só não fui embora porque gostei de você - ela disse. - E você nem percebia que eu estava te olhando!
Fiquei desnorteado. Uma coisa assim seria raríssima de acontecer com uma mulher na Argentina, e certamente era uma situação que eu nunca tinha vivido. Abordar alguém ou ser abordado, como neste caso, por uma argentina era um processo muito difícil. Minha mente, acostumada a essa dificuldade e, portanto, a calcular cada passo para levar o encontro por um bom caminho, não conhecia nenhuma estratégia para seguir o jogo na situação em que esta mulher me colocava. Empurrei o jornal para o lado, como se assim pudesse clarear o ar e ganhar tempo. Ela se inclinou levemente para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, e foi aí que percebi um brilho especial nos seus olhos — um lampejo entre curiosidade e diversão.