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A medida das coisas humanas – Capítulo II

Parêntese #312

Tenho trinta e cinco anos, idade com que Dante colocou Virgílio, a convite de Beatriz, para enfrentar o inferno, o purgatório e o paraíso, todos um tanto parecidos, opostos iguais mesmo, todos estáticos e incompatíveis com qualquer tipo de evolução e mesmo de involução. Digimon involuiu, minha mãe dizia quando eu tirava uma nota baixa. Digimon está preguiçoso, quando eu me jogava no sofá dizendo que não tinha tema de casa para fazer. Todo mundo tem sempre algo para fazer. A humanidade não vinga onde tudo está sempre em seu lugar, ela afirmava. Dizem alguns estudiosos do universo que ele também. A sua expansão não passa de uma assassina. A harmonia vai matá-lo. Nem as formas mais desprovidas terão chance diante do perfeito equilíbrio. Mal ou bem, não há nada tão interessante quanto o caos. Talvez, um buraco negro, um tipo de corpo celeste, vítima de um colapso gravitacional, que absorve o que encontra pela frente. O da nossa galáxia chamam de Sagitário A*.

Eu sou um Sagitário P*. Explico o meu asterisco. O da galáxia não sei. O meu é porque nasci em um vinte e sete de novembro, sagitariana do primeiro decanato, e meu pai decidiu me chamar de Paula. Minha mãe queria chamar-me de Mariana. Gostava de nomes começados com a letra M. O pai gostava de letra P. Vai ser Paula Prates Pessoa, disse, uma menina triplo P. Disse a astróloga que fez o meu mapa astral que isso é potente, poderoso, perigoso e carregado de forte dose de autoconfiança e de espírito desbravador. Para medrosa, não sirvo. Para covarde, menos ainda. Para falar só da boca para fora, um menos mil vezes maior. Coisa que me irrita são esses que ficam se declarando antifascistas e pró-direitos humanos sem colocarem os pés e as mãos na realidade, uma turma de se alivia indo a passeatas, como isso bastasse. Eu sou uma Paula para toda obra. Por isso, quero trabalhar com as presas.