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Apolinário e Esmê, um romance coletivo

Parêntese #314

Apolinário e Esmê, um romance coletivo
Imagem: Divulgação / Editora Nova Prova

Relendo o romance Apolinário e Esmê – Luz e sombra no paralelo 30 (Editora Nova Prova), escrito em 2008 e publicado em 2009 por 14 pessoas de uma oficina literária ministrada por Luís Augusto Fischer no saudoso StudioClio, revisitei uma experiência importante para minha formação literária. Eu era um dos participantes desta inusitada obra, um romance coletivo. Abstenho- me de descrevê-la, posto que resultaria em algo com o mesmo tom e intenção, ainda que de forma não tão viva e profunda como a descrição feita pelo Fischer no texto Um romance impossível, constante no final do livro. 

Depois de tanto tempo, é difícil comentar sobre a carpintaria e a feitura da obra. Apesar disso, cabe lembrar alguns pontos importantes, reproduzindo o comentário do Fischer, presente no texto citado, como a inserção da trama na cidade de Porto Alegre atual, com toda a gama de problemas e situações dos tempos em que vivemos, quando, como diz a música do Caetano Veloso, a força da grana ergue e destrói coisas belas. Mais destrói do que constrói, infelizmente. Talvez disso possa ter resultado uma cidade menos glamorosa que a capital do tempo do ‘footing” na rua da Praia, mas não menos interessante. 

Outro ponto importante: o romance trata de acompanhar dois personagens inquietos enfrentando os percalços dos problemas da meia-idade, Esmê voltando para Porto Alegre para acompanhar um pai enfermo que exigia seus cuidados e tentando encontrar um namorado virtual que reside aqui, e Apolinário se debatendo para solucionar seu divórcio e a guarda dos filhos, que apresentavam traços de rebeldia típicos da juventude, difíceis de administrar, e ao mesmo tempo tentando dar continuidade ao seu romance, um projeto literário acalentado desde sempre. Mais não digo para não cometer spoiler e comprometer a leitura.