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Djalma do Alegrete: “O último abacaxi que lancei na sociedade de consumo internacional” – Parte II

Parêntese #312

Djalma do Alegrete: “O último abacaxi que lancei na sociedade de consumo internacional” – Parte II
Djalma com a manequim Claudete, parte do staff com o qual trabalhava (RS). Acervo Djalma do Alegrete.

Da quarta à quinta miss: Rosa Maria Gallas e Salete Maria Chiaradia

Provavelmente empolgado com o reconhecimento no mundo das misses, em julho de 1964, na capital gaúcha, Djalma abriu a Escola de Modelo e Manequim Porto Alegre (EMMPA). A TV Sul fez uma nota: “A EMMPA se destina a formar manequins e modelos, selecionando elementos para desfiles, apresentações, enfim, todas as atividades onde sejam necessárias boas modelos e manequins”. O curso tinha duração de dois meses. Entre os professores, além do idealizador, nomes como Mendes Ribeiro, Jacy Pinho, redatora da Revista do Globo, e Maria Heloísa.

Há uma pequena divergência sobre as datas. O colunista Antônio Onofre da Silveira (1915-1988) anunciou o lançamento do empreendimento, para 24 de junho, no Diário de Notícias. Já Ruth Martins, no Jornal do Dia, informou que, em 1 de julho de 1964, com um coquetel, no salão de artes da Casa de Molduras – propriedade de Vilmar Fontes, na rua da Praia, 1568 –, a inauguração se dera com presença de muitos convidados e da imprensa. A inspiração ou a expertise, conforme a Revista do Globo, de agosto de 1964, veio da Sociedade Civil de Intercâmbio Literário e Artístico (Socila), uma escola para modelos fundada, no Rio de Janeiro, por Maria Augusta Nielsen, que durou de 1953 até 1976.

No mesmo dia da inauguração, na Galeria Malcon, Djalma fizera a prova do vestido de uma outra miss. Rosa Maria Gallas (1945-2024), filha do relojoeiro Albino Arlindo Gallas e de Suely [Gessvein] Gallas, nascida em Montenegro, se tornou Miss Rio Grande do Sul em 1964. Provavelmente, apesar das acusações de racismo e desconsideração, que reverberavam sempre que seu nome era evocado, elem se mantinha a aposta mais certeira para a criação artística.

Assim, ele apareceu, na capa do Diário de Notícias, no mesmo dia da inauguração do EMMPA, arrematando os detalhes da vestimenta com a qual Rosa participou do Miss Brasil no Maracanazinho. O traje recebeu dois nomes: “A laçadora” ou “Tangedora de gado”. Havia uma pressão sobre criador e criatura. O Diário de Notícias destacou que a indumentária tinha um requisito, o de “repetir o mesmo sucesso do de Ieda Maria Vargas”.

Mulher segurando raquete de tênis na mão

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Rosa Maria Gallas. Traje: A laçadora. Revista Cruzeiro. 25/07/1964.

No mesmo ano, ele assinou outra indumentária, inspirada em Anita Garibaldi, chamada de “A heroína de dois continentes” ou “A heroína de dois mundos”, que foi destinada à Miss Santa Catarina, Salete Maria Chiaradia, uma jovem de cabeleira loira e de olhos verdes. Embora várias matérias tenham mencionado que ela era filha da cidade de Lajes, a revista O Cruzeiro destacou que era gaúcha de nascimento, proveniente do município de Getúlio Vargas.