Confira todos os textos da edição #324
- Milton Santos, geógrafo, filósofo, intelectual, negro, centenário, inspirador, por Adriana Dorfman
- Espaços de resistências: como a força coletiva impõem novas estratégias para o debate do espaço do cidadão de Milton Santos, por Claudia Pires
- Um curral chamado senado, por Juremir Machado da Silva
- Diversidade cultural e política de cotas – Parte I, por Álvaro Magalhães
- O rock gaúcho – Parte VI – Ainda os dos 1960: Mutuca, Chaminé, por Arthur de Faria
- A Bienal de Veneza de Koyo Kouoh: como traduzir In Minor Keys?, por Samantha Buglione
- O que vem depois do 13? O 17!, por Fernando Seffner
- Crônicas animais – O causo do colhudo que “morreu de brabo”, por Marília Kosby
- Hifanações a partir de Patrícia Portela, por Raphaela Flores
- Entre o mundo e eu – Capítulo IV, por Marlon Pires Ramos
- Eduardo Devens: “Mas é um homem de cuecas?”, por Jandiro Koch
Pensar os espaços de resistência a partir do livro O espaço do cidadão, de Milton Santos, implica reconhecer que o espaço não é apenas cenário das relações sociais, mas um campo ativo de disputas onde a cidadania é constantemente negada. A força coletiva — especialmente de grupos historicamente marginalizados, como comunidades quilombolas, periféricas e movimentos sociais — não apenas resiste às imposições do sistema, mas também cria novas estratégias para redefinir o próprio sentido de “cidadão”. A obra do Milton do Santos pode ser compreendida a partir de uma convergência central: a crítica à produção desigual do espaço e a afirmação do território como campo de luta, cidadania e resistência. Evidencia que o espaço é uma totalidade que configura por relações de poder, sendo apropriado de forma desigual por diferentes sujeitos sociais
A cidadania, compreendida por Milton Santos, só pode ser plenamente compreendida a partir do acesso ao espaço. Para o autor, o espaço é estruturado pelas dinâmicas do capitalismo, que tendem a privilegiar determinados grupos em detrimento de outros. Assim, o cidadão não é apenas aquele que possui direitos formais, mas aquele que efetivamente consegue usufruir das condições materiais e simbólicas do espaço. Essa perspectiva crítica aparece de forma muito nítida quando se evidencia que as comunidades quilombolas em contexto urbano de Porto Alegre são historicamente invisibilizadas, tanto nas políticas públicas de regularização fundiária e sua titulação, quanto nas representações cartográficas oficiais.