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Espaços de resistências: como a força coletiva impõem novas estratégias para o debate do espaço do cidadão de Milton Santos

Parêntese #324

Espaços de resistências: como a força coletiva impõem novas estratégias para o debate do espaço do cidadão de Milton Santos
Imagem: Acervo da autora

Pensar os espaços de resistência a partir do livro O espaço do cidadão, de Milton Santos, implica reconhecer que o espaço não é apenas cenário das relações sociais, mas um campo ativo de disputas onde a cidadania é constantemente negada. A força coletiva — especialmente de grupos historicamente marginalizados, como comunidades quilombolas, periféricas e movimentos sociais — não apenas resiste às imposições do sistema, mas também cria novas estratégias para redefinir o próprio sentido de “cidadão”. A obra do Milton do Santos pode ser compreendida a partir de uma convergência central: a crítica à produção desigual do espaço e a afirmação do território como campo de luta, cidadania e resistência. Evidencia que o espaço é uma totalidade que configura por relações de poder, sendo apropriado de forma desigual por diferentes sujeitos sociais

A cidadania, compreendida por Milton Santos, só pode ser plenamente compreendida a partir do acesso ao espaço. Para o autor, o espaço é estruturado pelas dinâmicas do capitalismo, que tendem a privilegiar determinados grupos em detrimento de outros. Assim, o cidadão não é apenas aquele que possui direitos formais, mas aquele que efetivamente consegue usufruir das condições materiais e simbólicas do espaço. Essa perspectiva crítica aparece de forma muito nítida quando se evidencia que as comunidades quilombolas em contexto urbano de Porto Alegre são historicamente invisibilizadas, tanto nas políticas públicas de regularização fundiária e sua titulação, quanto nas representações cartográficas oficiais.