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Gilmar, o leitor

Parêntese #336

Gilmar, o leitor
Gilmar lendo. Foto: Manoel Madeira
Sou capaz de acreditar em tudo, desde que seja inacreditável.
Oscar Wilde, em O retrato de Dorian Gray

Umas oito e meia da noite, eu voltava do consultório, devia ser por volta de setembro, outubro. Chegando na esquina oposta à Praça Júlio de Castilhos, me surpreendo ao ver uma pessoa em situação de rua deitado sobre um papelão, a coberta até o peito, a cabeça apoiada num saco de recicláveis, lendo um romance.