Confira todos os textos da edição #324
- Milton Santos, geógrafo, filósofo, intelectual, negro, centenário, inspirador, por Adriana Dorfman
- Espaços de resistências: como a força coletiva impõem novas estratégias para o debate do espaço do cidadão de Milton Santos, por Claudia Pires
- Um curral chamado senado, por Juremir Machado da Silva
- Diversidade cultural e política de cotas – Parte I, por Álvaro Magalhães
- O rock gaúcho – Parte VI – Ainda os dos 1960: Mutuca, Chaminé, por Arthur de Faria
- A Bienal de Veneza de Koyo Kouoh: como traduzir In Minor Keys?, por Samantha Buglione
- O que vem depois do 13? O 17!, por Fernando Seffner
- Crônicas animais – O causo do colhudo que “morreu de brabo”, por Marília Kosby
- Hifanações a partir de Patrícia Portela, por Raphaela Flores
- Entre o mundo e eu – Capítulo IV, por Marlon Pires Ramos
- Eduardo Devens: “Mas é um homem de cuecas?”, por Jandiro Koch
Fazia alguns meses que Patrícia Portela repousava em minha cabeceira. Ela estava ali, assim como outros autores que vão se empilhando pelos cômodos da casa, numa fila de leitura nem sempre respeitada. Insisto em mantê-los onde estão – ao lado do sofá, na mesinha de centro, no escritório... Eles permanecem ali, me olhando, por dias e dias, suplicando pela sua vez. Pois bem, chegou a vez dela.
Hífen é de 2021 e, portanto, não há nada de factual neste texto que escrevo agora. Faço apenas porque o livro é daqueles impossíveis de não comentar. E, também, porque eu gostaria que mais gente o lesse. Tento agora costurar os trechos e as frases que rabisquei ao longo dos últimos dias e, assim como aquele tracinho que colocamos entre duas palavras independentes para que, juntas, formem um novo significado, edito as linhas para ver se dou conta de expressar o tanto que a leitura me tocou.
Portela brinca com palavras e seus significados reais e simbólicos e compartilha um mundo inventado. Nas primeiras páginas chega a ser engraçado, completamente inusitado e de uma criatividade espantosa. Intrigada com a narrativa nada convencional, aceitei o pacto com a autora, o hífen entre nós. Porque ler, como diz uma das personagens, é o hífen entre o leitor e o autor – uma partilha de mentes diferentes.