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Romance de Sandro Veronesi reinventa o tema do primeiro beijo

#Parêntese 312

Romance de Sandro Veronesi reinventa o tema do primeiro beijo
Imagem: Editora Autêntica / Reprodução

O tema do primeiro amor ainda rende bons romances. Em Setembro negro, o italiano Sandro Veronesi mostra que com talento tudo dá.

Sou da campanha, dos pagos, da adolescência dividida entre Jovem Guarda e Califórnia da Canção, lembro daquela propaganda: “Com Manah adubando dá”. Para a maioria da gauchada, o nosso campesinato de alpargatas, faltava dinheiro para semente e, claro, para fertilizante.

Talento fertiliza, faz dar frutos onde tudo já parecia esterilizado. Em literatura, não é tarefa fácil tirar leite de pedra.

Há quem ache que a maneira mais genial de inovar é tirando pontos, vírgulas e parágrafos. Escritor precisa estabelecer desafios: criar algo novo e emocionante sem exterminar os sinais de pontuação.

O parágrafo é uma das maiores invenções da humanidade. Quando enfrento parágrafos com mais de duas páginas, alerto: perigo, chatice.

No Brasil, Veronese já é conhecido por Colibri. Ele é publicado aqui pela Autêntica Contemporânea, de Belo Horizonte. Como assim? Não é da Cia das Letras? Nem da Todavia? Não pode ser. Tudo é delas. A editora não é de São Paulo, nem do Rio? Então não vai ganhar Nobel? Será que a Flip convida? Sai na Folha de São Paulo e na piauí? Tem um elogio ao livro na sua quarta capa tirado de um texto da Folha.

Cresceu na parada. Se não fosse estrangeiro, ganhava Jabuti. Em duas linhas, o resumo: um homem maduro lembra do seu primeiro amor, vivido numa praia italiana quando ele tinha 12 anos de idade. A menina dessa paixão devastadora tinha 13.

Primeiro amor, primeiro beijo, primeira angústia, primeira decepção, primeira tragédia pessoal, primeira lembrança para sempre.