Confira todos os textos da edição #312
- Os Homens e as Coisas, por José Mário Neves
- Estranhando Paris, por Luís Augusto Fischer
- Histórias de Autógrafos: Wim Wenders em duas fotos de seus filmes, por Carlos Gerbase
- Djalma do Alegrete: “O último abacaxi que lancei na sociedade de consumo internacional” – Parte II, por Jandiro Koch
- De Recibo de Pagamento Autônomo para Contrato por Temporada, por Márcio Chagas e Thiana Orth
- Sopram novos e bons tempos para a arbitragem brasileira, por Carlos Simon
- Lei Rouanet, dados e polarizações, por Álvaro Magalhães
- A medida das coisas humanas – Capítulo II, por Helena Terra
- A honestidade de desistir, por Carlos André Moreira
- Romance de Sandro Veronesi reinventa o tema do primeiro beijo, por Juremir Machado da Silva
O tema do primeiro amor ainda rende bons romances. Em Setembro negro, o italiano Sandro Veronesi mostra que com talento tudo dá.
Sou da campanha, dos pagos, da adolescência dividida entre Jovem Guarda e Califórnia da Canção, lembro daquela propaganda: “Com Manah adubando dá”. Para a maioria da gauchada, o nosso campesinato de alpargatas, faltava dinheiro para semente e, claro, para fertilizante.
Talento fertiliza, faz dar frutos onde tudo já parecia esterilizado. Em literatura, não é tarefa fácil tirar leite de pedra.
Há quem ache que a maneira mais genial de inovar é tirando pontos, vírgulas e parágrafos. Escritor precisa estabelecer desafios: criar algo novo e emocionante sem exterminar os sinais de pontuação.
O parágrafo é uma das maiores invenções da humanidade. Quando enfrento parágrafos com mais de duas páginas, alerto: perigo, chatice.
No Brasil, Veronese já é conhecido por Colibri. Ele é publicado aqui pela Autêntica Contemporânea, de Belo Horizonte. Como assim? Não é da Cia das Letras? Nem da Todavia? Não pode ser. Tudo é delas. A editora não é de São Paulo, nem do Rio? Então não vai ganhar Nobel? Será que a Flip convida? Sai na Folha de São Paulo e na piauí? Tem um elogio ao livro na sua quarta capa tirado de um texto da Folha.
Cresceu na parada. Se não fosse estrangeiro, ganhava Jabuti. Em duas linhas, o resumo: um homem maduro lembra do seu primeiro amor, vivido numa praia italiana quando ele tinha 12 anos de idade. A menina dessa paixão devastadora tinha 13.
Primeiro amor, primeiro beijo, primeira angústia, primeira decepção, primeira tragédia pessoal, primeira lembrança para sempre.