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Tordilha não vai a lugar algum. Ou: o que têm a dizer os inauditos

Parêntese #342

Tordilha não vai a lugar algum. Ou: o que têm a dizer os inauditos
Foto: Alexander Mass/Pexels

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Agostinho chegou bem atrasado, já havíamos começado há uns vinte minutos. Era o segundo encontro da segunda edição da ação de extensão Desdomar desmontando o patriarcado a cavalo. Trata-se de um grupo de educação e reflexão composto por equipe multiespécies (estudantes, docentes, técnicos/as e a manada equina da Universidade Federal do Pampa) e homens intimados pela 2ª Vara Criminal do município por terem praticado violência doméstica, nos termos da Lei Maria da Penha. Agostinho chegou pra lá de atrasado, mas havia uma cadeira vazia na roda. Com ele, éramos quatorze pessoas humanas, seis éguas e um cavalo. A conversa era sobre masculinidade e estava sendo problematizada a persona do provedor, aquele que “dá tudo, paga tudo” e diante da contrariedade ou desobediência da companheira (ou da filha, da irmã, etc.), sente-se no direito de reparar violentamente essa "ingratidão".