Olá! Lembra que o Censo de 2022 apontou uma redução da população de Porto Alegre? Dados mais recentes dos registros de cartórios mostram que essa tendência continua: pelo quinto ano seguido, a capital teve mais óbitos do que nascimentos – tema da abertura desta edição.
Além disso, a repórter Valentina Bressan publica uma reportagem sobre o acordo que busca ampliar a proteção a órfãos de feminicídios no estado. Também repercutimos como a concessão anterior do Cais Mauá foi usada como um “ensaio” para a captação de recursos de fundos previdenciários.
Nesta terça, Roger Lerina resenha o longa Zafari, da venezuelana Mariana Rondón. E, logo mais, nossos apoiadores recebem a News do Juremir, com dicas de leitura para o verão.
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Porto Alegre tem mais óbitos do que nascimentos pelo quinto ano seguido
Porto Alegre registrou em 2025 um novo saldo vegetativo negativo – ou seja, mais mortes do que nascimentos, um fenômeno que já ocorre de forma contínua desde 2020. Segundo dados mais recentes com base nas estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nos registros civis, a diferença entre óbitos e nascimentos na capital gaúcha foi verificada, mesmo que de forma numericamente reduzida, e reforça uma tendência demográfica de longo prazo de envelhecimento e baixa fecundidade por aqui. O levantamento foi feito pelo portal Poder360.
No ano passado, houve 19.965 nascimentos e 19.982 óbitos na capital gaúcha, de acordo com o Portal da Transparência do Registro Civil. A redução também havia sido aferida pelo IBGE, que indicou que Porto Alegre teve uma queda de 0,04% na população entre 2024 e 2025. Em nível estadual, o Departamento de Economia e Estatística, com base em dados do Censo 2022, havia detectado uma taxa de fecundidade de 1,44 filho por mulher no RS, abaixo da taxa de reposição, que é de 2,1.
Trata-se, segundo o Departamento, de uma rápida transição demográfica, com o fim do crescimento populacional e o envelhecimento gradual da população, cenário a ser enfrentado pelo restante do país até a metade do século, demandando reflexão sobre políticas públicas voltadas à saúde, educação, serviços sociais e atração de jovens famílias.
Além de Porto Alegre, o Rio de Janeiro também registrou mais óbitos do que nascimentos em 2025, conforme os registros civis. Na outra ponta, Teresina e Macapá foram as capitais com a maior diferença pró-natalidade.
O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Acordo quer agilizar proteção a órfãos de feminícidios
Desde 2020, 701 crianças e adolescentes perderam suas mães por feminicídio. Somente no ano passado, foram 116, segundo dados da Polícia Civil. Nenhum deles, até o momento, obteve a pensão especial garantida por lei a filhos de vítimas de feminicídio por meio da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul (DPE-RS), situação que o Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente (Nudeca) do DPE quer mudar.
Ontem, a Defensoria firmou um termo de cooperação com as secretarias de Segurança Pública e da Mulher do governo do Rio Grande do Sul para agilizar a assistência a essas crianças e adolescentes. O objetivo é que dados relativos aos feminicídios ocorridos no estado gaúcho sejam disponibilizados de imediato, permitindo aos defensores públicos acelerar processos de definição de guarda e de solicitação de benefícios, como a pensão especial.

Cais Mauá serviu como “ensaio” para captação junto a fundos de previdência
Segundo informações do Jornal Já, o Fundo Cais Mauá serviu como ensaio para a captação de recursos junto a fundos de previdência pelo grupo Reag. A empresa foi liquidada pelo Banco Central e integra o escândalo financeiro envolvendo o Banco Master. Em nova matéria sobre o caso, o jornalista Elmar Bones conta que o Cais Mauá testou “táticas de captação” em institutos de previdência (RPPS). Além do IPE Prev, outros seis grandes fundos previdenciários investiram no projeto do Cais, com valores que variam entre 2 e 21 milhões de reais.
Ao todo, o Fundo Cais Mauá chegou a captar 130 milhões de reais, mas, após operação da Polícia Federal, em 2018, nada foi encontrado. Pela gestão do fundo haviam passado a Positivo, NSG, a ICLA e, finalmente, a Reag. Todas ligadas ao empresário João Carlos Mansur, investigado na operação Compliance Zero por operações fraudulentas, gestão de risco precária e falta de liquidez. A Matinal pediu explicações ao IPEPrev sobre a sindicância que apurou indícios de suposta irregularidade no investimento do FIP Cais Mauá, mas ainda não recebeu retorno.

Vai ter Copa
Na data em que marcou 500 dias para o início da Copa do Mundo feminina, a Fifa lançou pôsteres sobre as cidades-sedes do evento – entre elas Porto Alegre, que receberá partidas no estádio Beira-Rio. As imagens da capital gaúcha foram desenvolvidas pela artista Carla Barth e remetem a cenários como o Cais Mauá e o Gasômetro, além de, claro, meninas jogando futebol.
A Copa do Mundo feminina ocorrerá entre os dias 24 de junho e 25 de julho de 2027. Em breve, a Fifa irá anunciar as datas e a quantidade de jogos que cada cidade-sede receberá no evento.
OUTRAS NOTÍCIAS
A prefeitura deve anunciar ainda nesta semana o reajuste da tarifa dos ônibus, atualmente em 5 reais.
Em balanço ontem, no último dia de prazo para pagamento com desconto de 11%, a prefeitura informou que 30% dos contribuintes já haviam quitado o IPTU, representando 368 milhões arrecadados aos cofres públicos.
Um salão de beleza e quatro lanchonetes foram selecionadas como empresas adotantes do Viaduto da Conceição, no centro da capital.
Prevendo selecionar 250 projetos e investir 70 milhões, a Sedac lançou edital para eventos culturais no segundo semestre e o calendário anual da Lei de Incentivo à Cultura.
A vice-prefeita, Betina Worm, foi convidada pelo PL para concorrer a deputada em outubro. Ela, no entanto, ainda não definiu se irá se lançar. Caso concorra, ela não precisará renunciar ao atual cargo.
Também sobre eleições: após negociação que envolveu a migração de partido de um vereador de Erechim, o Podemos fechou apoio à pré-candidatura de Luciano Zucco (PL) ao Piratini.
CULTURA

"Zafari" coloca um hipopótamo no quintal da Venezuela

Misturando distopia, alegoria, terror e crítica político-social, Zafari (2024) coloca um hipopótamo na vizinhança de um condomínio em Caracas. O sexto longa-metragem da venezuelana Mariana Rondón imagina uma sociedade em que a população enfrenta a ausência das regras sociais, a falta de trabalho e, sobretudo, de comida. Leia a resenha.
Muito obrigado pela sua leitura! Quem apoia a Matinal segue conosco com uma curadoria de agenda cultural para o final de semana. Quer ler agora? Então apoie e leia hoje mesmo! Até a próxima edição!
