O fim do processo seletivo para diretor e vice-diretor em escolas de Porto Alegre, no final de 2025, foi também a confirmação do fim da gestão democrática no ensino público municipal. As críticas de professores, especialistas e de entidades de classe de que o novo processo concentraria o poder de decisão nas mãos da prefeitura e não mais da comunidade escolar foram confirmadas durante o concurso e, agora, com a destituição dos atuais diretores, que estão sendo dispensados por telefone.
Desde o final de dezembro, quando o “processo de habilitação” foi concluído, com a divulgação de 28o aprovados, diretores de escolas municipais têm recebido ligações da Secretaria Municipal de Educação (Smed) para informar se seguirão no cargo ou serão destituídos. Mesmo os diretores aprovados no edital estão sendo removidos da equipe diretiva, sem justificativas.
“Averiguamos que, ao todo, 24 diretores foram destituídos, por meio de ligações telefônicas. A maioria fez o processo seletivo, e muitos ficaram bem classificados”, revela Isabel Medeiros, diretora da Associação dos Trabalhadores/as em Educação do Município de Porto Alegre (Atempa). A soma considera Escolas Municipais de Educação Infantil (Emei) e Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emef).