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Porto Alegre piora no acesso a bibliotecas em escolas públicas

Conforme levantamento do IBGE, enquanto 100% dos alunos da rede privada dispõem de bibliotecas, índice cai para 68% nas escolas públicas

Porto Alegre piora no acesso a bibliotecas em escolas públicas
RS teve melhoria no cenário, mas taxa de estudantes de 13 a 17 anos que relatam ter bibliotecas abertas em suas escolas na capital diminuiu de 2015 a 2024 | Foto: Valentina Bressan

Porto Alegre ficou entre as piores capitais do Brasil quando se trata da quantidade de alunos da rede pública que estudam em escolas com bibliotecas abertas, de acordo com a 5ª edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O levantamento escancarou uma discrepância entre estudantes na rede pública e privada: enquanto 68,2% dos jovens estudantes da rede pública da capital relatam frequentar escolas com bibliotecas, na rede privada esse percentual salta para 100%. No ranking das taxas de escolas particulares, Porto Alegre, Florianópolis, Vitória e Boa Vista empatam em primeiro lugar, com 100%.

Não chega a se tratar de um caso isolado, porém, sim, de uma diferença mais alargada no caso da capital gaúcha. Em nível nacional, 77,5% dos estudantes da rede pública informaram ter biblioteca disponível, ante a 83,3% dos alunos da rede privada. 

As informações foram coletadas pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação (MEC) em 2024 e divulgadas nesta quarta-feira (25). Dentre os diversos temas abordados, como violência e saúde, o levantamento perguntou aos alunos se as escolas onde eles estudam têm bibliotecas em condições de uso.

Para Julian Fontoura, professor da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), essa distinção aprofunda desigualdades entre a educação privada e pública. Segundo ele, menos oportunidades de contato com os livros significam prejuízos para a compreensão leitora, a escrita e a capacidade de interpretação – especialmente em uma idade em que se consolidam habilidades cognitivas, culturais e sociais.

“Isso afeta não apenas o desempenho escolar imediato, mas também as condições de participação social mais ampla, já que a leitura é um elemento estruturante da formação cidadã”, conclui. “A biblioteca não é apenas um espaço de apoio aos conteúdos curriculares, mas se apresenta também como um ambiente que amplia repertórios, estimula a autonomia intelectual e favorece o desenvolvimento de práticas de leitura.”