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Olá! Uma emenda aprovada na votação da Lei de Uso e Ocupação do Solo isenta terrenos do 4º Distrito de cumprir a taxa de permeabilidade do solo, índice ligado à prevenção de alagamentos. E mais:
🪶 Indígenas ficam de fora dos 400 anos das Missões
♻️ Projeto Geloteca transforma geladeiras descartadas em bibliotecas
🤝 Juremir fala da aliança entre partidos de esquerda no RS.
🎶 Na Parêntese, Alex de Cássio narra uma experiência em Porto Alegre a partir de canções.
4º Distrito será dispensado de cumprir taxa de permeabilidade para evitar inundações
A Câmara Municipal aprovou, na segunda-feira (4), uma emenda à Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS) que dispensa os terrenos do 4º Distrito de cumprirem a taxa de permeabilidade. O índice define o percentual mínimo do terreno que deve permanecer permeável, ou seja, capaz de absorver água da chuva.
Pela proposta do Plano Diretor, cada área da cidade terá uma taxa de permeabilidade própria, de acordo com a divisão nas Zonas de Ordenamento Territorial (ZOT), que organizarão a cidade segundo características e objetivos de desenvolvimento. A emenda inclui o 4º distrito na lista de casos isentos de cumprir a determinação.
O vereador Jessé Sangalli (PL), autor da emenda, defendeu a medida como forma de “estimular a renovação urbana e o adensamento construtivo” no bairro – um dos mais atingidos pela enchente de 2024.
A LUOS é a segunda parte do pacote urbanístico que compõem o Plano Diretor e traduz as diretrizes do Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS), aprovado em 23 de abril, em regras práticas como altura de prédios e parâmetros de construção.
A Matinal mostrou, em reportagem de Naira Hofmeister e Cláudia Bueno, como bairros que tradicionalmente já sofrem com alagamentos na capital poderão ficar ainda mais vulneráveis a partir da aprovação do Plano Diretor.
O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Pesquisadores apontam ausência de protagonismo indígena em eventos dos 400 anos das missões
Em 2026, o governo gaúcho comemora os 400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis – anunciado no ano passado, o programa recebeu R$ 50 milhões em orçamento para mais de cem eventos. Mas pesquisadores e professores indígenas apontam para a ausência de protagonismo indígena e questionam o real significado de celebrar as Missões, em reportagem de Emilene Lopes para o Nonada Jornalismo.
“Eu vejo as Missões quase como um campo de concentração”, afirma Bruno Ferreira, professor e historiador indígena. “Os jesuítas tinham o papel de impor a fé cristã e de domesticar para a escravidão. Isso precisa ser dito.” Para o professor, as comemorações dos 400 anos das Missões Jesuíticas celebram, na verdade, as vitórias dos colonizadores sobre os indígenas: “Eles não estão preocupados em lembrar como os europeus construíram impérios utilizando a força dos Guaranis”.
Entre as entidades participantes do programa do governo do RS, há apenas uma organização indígena: o Conselho Estadual dos Povos Indígenas (Cepi). Dos R$ 50 milhões investidos, somente R$ 330 mil (o equivalente a 0,6%) foram destinados aos indígenas, para a construção de um centro de artesanato na aldeia Tekoa Koenjú. O restante foi reservado à infraestrutura turística e cultural das Missões.
Em setembro, a Matinal noticiou que o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação para obrigar o governo do RS a incluir os indígenas guaranis nas celebrações, questionando a distribuição do orçamento. Uma audiência de conciliação entre o MPF e o governo estadual foi realizada em dezembro, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), mas o resultado não foi divulgado publicamente.
Uma rede viva formada por grafiteiros, artistas, educadores, produtores culturais e lideranças comunitárias combate uma triste realidade no Brasil: mais da metade da população não lê, conforme o levantamento Retratos da Leitura, de 2024. O Geloteca, criado em 2020 pelo produtor e rapper Adriano Dplay, em Canoas, reaproveita geladeiras que seriam jogadas fora, transformando-as em um acervo de livros.
A iniciativa está completando seis anos, e surgiu quando Dplay teve a ideia de pintar o utensílio doméstico de um amigo, prestes a ser descartado, e colocar obras para que qualquer um pudesse pegar. Um padrão foi estabelecido, e hoje 300 “gelotecas” estão espalhadas por 30 municípios do Rio Grande do Sul e até no Uruguai – todas personalizadas por um artista urbano. “Antes de abrir a porta, a pessoa já foi impactada pela estética”, explica o produtor. A escolha dos locais que abrigam as mini bibliotecas considera pontos de grande circulação em periferias, escolas e territórios onde parceiros podem colaborar com a manutenção dos equipamentos.
OUTRAS NOTÍCIAS
O conserto emergencial do Teatro Renascença não segurou a água da chuva, e o espaço voltou a ter goteiras durante apresentações. Apesar dos contratempos, a programação desta semana está confirmada – uma das atrações é a reestreia de um piano de 40 anos, restaurado após ser impactado pela enchente de 2024.
Os 400 alunos da escola estadual Aparício Borges estudam em ambientes sem luz desde março, depois do terceiro furto de cabos de energia apenas neste ano. Ao site GZH, a Secretaria de Educação (Seduc) não informou data para início do conserto.
A prefeitura encaminhou à Polícia Federal, na segunda (4), uma denúncia com 262 registros suspeitos de irregularidades no programa Compra Assistida, como casos de apropriação indevida do recurso e de beneficiários que seguiram morando nas áreas de risco.
No bairro Arquipélago, moradores atingidos pela enchente estão adaptando as casas por conta própria diante do medo de novas cheias. A reportagem do Correio do Povo ouviu quem ficou nas ilhas – por escolha ou falta de ter para onde ir.
Réguas nos píeres de Guaíba foram substituídas por dois sensores de monitoramento climático, que vão informar o nível das águas do lago Guaíba em tempo real.
Porto Alegre suspendeu a vacinação contra covid-19 por falta de doses. A capital aguarda nova remessa, que só deve ser recebida após 20 de maio.
Moradores de Porto Alegre e Canoas têm comprado água mineral com mais frequência devido às alterações no gosto e no cheiro da água fornecida pelo DMAE e pela Corsan Aegea. Levantamento realizado pela GZH mostra que a procura subiu entre 20% e 30%.
O governo do estado concluiu a entrega de documentos à Caixa Econômica Federal para a instalação da Casa da Mulher Brasileira em Porto Alegre. A próxima etapa é publicar o edital para a obra do prédio, que ficará no bairro Rubem Berta.
O consórcio Portos do Sul, vencedor do leilão de concessão do Cais Navegantes e das áreas portuárias, deve assumir as operações em até três meses.
Juremir escreve sobre a “Carta ao Povo Gaúcho”, lançada em 1º de maio por partidos de esquerda, selando uma unidade entre PDT, PT, PSB, Psol, PV, PCdoB e Rede.
Valéria Leopoldino, primeira-dama de Porto Alegre, vai coordenar a campanha de Gabriel Souza (MDB) ao Piratini ao lado do secretário-geral do governo, Artur Lemos, e do prefeito de Campo Bom, Giovani Feltes.
A cidade inventada por suas canções
por Alex de Cássio
Há muito tempo que não fazia esse exercício de conversar com Porto Alegre. Andar pela cidade é uma das coisas que mais gosto na vida, e foi assim que aprendi a conhecê-la de verdade e a viver nela. Porque a vida miúda tem uma graça e um amargo diferentes. Geografia e identidade são determinantes para entender uma visão de mundo, exigem determinação e esforço insondáveis para serem suplantadas ou modificadas. É muito mais fácil viver como um estrangeiro.
Leia o texto completo →
CULTURA
“A Sombra do Meu Pai” é ensaio sobre descobertas e perdas

Premiado no BAFTA, o filme A Sombra do Meu Pai (2025) é uma lírica história familiar semiautobiográfica ambientada na Nigéria natal do diretor e roteirista Akinola Davies. O conto ambientado em um único dia na metrópole nigeriana de Lagos durante a crise eleitoral de 1993 acompanha dois meninos em uma jornada de descobertas e perdas com o pai. Leia a resenha de Roger Lerina e escute o bate-papo sobre o filme no podcast Movida, da Matinal.
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