Olá! Hoje, a Matinal traz um levantamento inédito, feito com base em dados do CadÚnico, que identificou 36 crianças e adolescentes em situação de rua em Porto Alegre. Destas, 13 estão na primeira infância, entre zero e seis anos. A reportagem de João Neto mostra como o RS lidera no número de crianças e jovens em situação de rua na região Sul. Você também vai ler:
🪶 Famílias Kaingang retomam território no Parque Natural Municipal Saint’Hilaire
⚡ Aneel rejeita recurso da Scala Data Centers
🧶 Centro indígena na Cidade Baixa reúne artesanato, acolhimento e luta pela retomada territorial
🎨 “As Cores do Tempo” leva público à Paris do fim do século 19, em resenha de Roger Lerina
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Porto Alegre tem 36 crianças em situação de rua; 13 são menores de 6 anos
É nos primeiros anos de vida que ocorrem etapas fundamentais para o desenvolvimento cognitivo de um indivíduo. Em Porto Alegre, 36 crianças vivem este período crucial nas ruas.
Conforme levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/POLOS-UFMG), em parceria com a Rede Nacional Criança Não é de Rua, a partir de dados do CadÚnico, 43% das crianças e adolescentes em situação de rua no Rio Grande do Sul estão na capital gaúcha – são 84 em todo o estado. Dentre as 36 submetidas à situação em Porto Alegre, 13 têm entre zero e seis anos de idade, e 23 possuem entre sete e 17 anos.
O montante registrado no Rio Grande do Sul para o período de vida em questão equivale a menos de 1% do total de 18.070 pessoas em situação de rua no estado, conforme dados de julho de 2026. Em comparação aos demais estados do Sul, o RS lidera. Apesar da ausência de registros em Curitiba, o Paraná aparece com 83 e Santa Catarina, com 19. Ao todo, a Região Sul possui 260 crianças e adolescentes em situação de rua, sendo 127 na primeira infância (o equivalente a 49%).
No país, das 394.863 pessoas em condição de rua, 9.976 são crianças e adolescentes – dessas, 4.381 (44%) estão na primeira infância e 5.595 (56%) têm entre sete e 17 anos.
Questionada, a prefeitura de Porto Alegre não respondeu se possui ou pretende implementar ações e programas destinados a proteger crianças e adolescentes na capital. Também não informou se reconhece o cenário apontado pela UFMG.
Para a pesquisadora Lilith Neiman, que acompanhou crianças e adolescentes nas ruas de São Paulo durante seu doutorado, é preciso garantir cuidados integrados às famílias. “Não vejo um caminho de cuidado com as crianças em situação de rua que não passe por assegurar às suas famílias os direitos sociais da moradia, da alimentação, do trabalho não precarizado, do lazer… O que minha pesquisa mostra é que essas crianças participam de contextos, a infância não existe isolada."Leia a reportagem completa:

O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Famílias Kaingang retomam território em Parque Natural Municipal Saint’Hilaire
Dezoito famílias do povo indígena Kaingang retomaram o território de uma área localizada no Parque Natural Municipal Saint’Hilaire, entre os municípios de Porto Alegre e Viamão, na madrugada do último sábado (22). A nova comunidade recebeu o nome de Retánh Krã, expressão que significa “Filhos da Mata”.
A ação de retomada faz parte da luta do povo Kaingang pela recuperação e proteção de seus territórios tradicionais. As lideranças destacaram que, para além de recuperar a terra, a retomada representa a preservação da memória ancestral, da cultura, da espiritualidade, dos conhecimentos tradicionais e a busca por condições para dar continuidade ao povo indígena. Além disso, a constituição da aldeia Retánh Krã representa um compromisso com a defesa dos direitos indígenas assegurados pela Constituição Federal, segundo a avaliação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi Sul).
No domingo (23), a Prefeitura de Porto Alegre ingressou com uma ação judicial pedindo a reintegração de posse da área ocupada pela comunidade. Uma decisão da Justiça Federal, assinada pelo juiz federal em regime de plantão Rafael Wolff, não concedeu a reintegração de posse imediata solicitada pelo Município, a partir do entendimento de que não ficou comprovada a urgência ou a existência de um dano irreparável que justificasse a concessão da medida liminar sem a escuta prévia de todas as partes envolvidas.
Aneel rejeita recurso da Scala Data Centers
A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) rejeitou, ontem, um recurso protocolado pela Scala Data Centers. O recurso questionava um despacho de junho da Aneel, que negou pedido para dispensar a empresa das garantias exigidas para ligar os data centers à Rede Básica de energia nas unidades de Eldorado do Sul e de Jundiaí, em São Paulo.
A empresa pretende construir um centro de dados em Eldorado do Sul, com investimento de R$ 3 bilhões apenas na primeira fase.
Entretanto, em julho, entre as duas decisões, a Scala conseguiu uma liminar que suspendeu a exigência de garantia prévia para formalizar o Contrato do Uso e Sistema de Transmissão (CUST). A Scala teria de garantir cerca de R$ 77 milhões antes de firmar o contrato, mas a decisão judicial permitiu que o documento fosse assinado sem a garantia até que seja julgado o mérito da ação. A liminar também determina que permanece válido o parecer que atesta a viabilidade da conexão à rede.
À época, a Scala argumentou ao Jornal do Comércio que as tratativas para acessar a rede já estavam em curso antes da resolução da Aneel e que não foram definidas regras de transição para projetos em andamento.
Leia também – Maior data center da América do Sul terá licenciamento simplificado no RS.
O Centro de Referência Indígena (CRIA), na Cidade Baixa, nasceu da rotina cansativa das mulheres do povo Guarani Mbyá, que se deslocavam das aldeias até a Redenção para vender seu trabalho, mas não conseguiam visibilidade para suas peças. Assim, a cacique Kerexu Takua, representante do coletivo, reivindicou o espaço para que diversas artesãs indígenas possam comercializar suas peças com dignidade, transformando em sustento uma arte milenar transmitida de geração em geração.
Para Kerexu, ocupar um imóvel na Cidade Baixa é um gesto político: “É uma retomada. A gente está voltando a um lugar de onde nunca deveria ter saído”. Ela lembra que o território, às margens do Guaíba, era Guarani antes da formação da cidade. Sob a liderança da cacique, o CRIA se tornou um espaço de acolhimento que não fica restrito ao povo Guarani Mbyá, reunindo cerca de 37 pessoas de diferentes etnias. Apesar da relevância do local, o centro nunca recebeu qualquer repasse público e, para arcar com despesas básicas, promove rifas periódicas.
OUTRAS NOTÍCIAS
Na manhã de ontem, três carros caíram dentro de um buraco após a calçada ceder na Rua Almirante Tamandaré, no bairro Floresta. A calçada desmoronou sobre uma galeria de macrodrenagem, e o Dmae trabalha na reconstrução da estrutura.
A Escola de Educação Infantil Brincando e Aprendendo, no bairro Farrapos, será reinaugurada hoje após passar por obras de reforma. Com a ampliação do prédio, serão abertas 100 novas vagas. A escola integra o programa Infância em Construção, desenvolvido em parceria com instituições privadas.
Até sexta-feira, familiares de pessoas desaparecidas podem entregar amostras de material genético como parte de uma campanha nacional de busca e identificação. Em todo o RS, postos médico-legais receberão materiais dos familiares e da pessoa desaparecida. Em Porto Alegre, o Centro Regional de Excelência em Perícias Criminais do Sul participa da campanha e outro posto de coleta será instalado na quinta-feira no parque da Redenção.
A Farmácia Distrital IAPI estará fechada hoje e amanhã para ajustes de estoque. A população deve buscar outros pontos de distribuição de medicamentos.
A Campanha da Legalidade será o foco de um evento hoje, às 18h, na Câmara de Vereadores. Uma palestra com o escritor Alcy Cheuiche será realizada no Plenário Ana Terra para relembrar os 65 anos do episódio.
A partir de ontem, os serviços de empréstimos e devolução de livros, leitura e consulta da Biblioteca Pública do Estado passaram a funcionar no Multipalco Eva Sopher, enquanto o prédio da biblioteca é reformado.
Um ofício da Secretaria Nacional de Habitação confirmou que 157 unidades habitacionais serão destinadas a famílias de Porto Alegre atingidas pela enchente de maio de 2024, por meio do programa Minha Casa Minha Vida Reconstrução. O documento também valida a conclusão da análise das famílias indicadas pelo município.
A Braskem fechou acordo para entrar com pedido de recuperação extrajudicial, com dívidas de mais de R$ 54 bilhões. A petroquímica é dona de boa parte do polo de Triunfo, que conta com oito fábricas, e mantém cerca de 1,6 mil funcionários no RS.
Um homem foi condenado pela 2ª Vara Federal de Santana do Livramento por publicar conteúdos discriminatórios contra a comunidade LGBTQIA+ no Facebook.
Entre 2022 e 2026, 909 candidatos alteraram a declaração de cor ou raça no TSE, conforme levantamento do g1. Destes, 70,3% são trocas entre as categorias parda e branca.
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CULTURA

“As Cores do Tempo” viaja até a Paris de fins do século 19

Um dos mais prestigiados nomes do cinema francês contemporâneo, o diretor Cédric Klapisch retorna com o curioso As Cores do Tempo (2025). Selecionada para o Festival de Cannes, a comédia dramática acompanha quatro primos distantes que herdam uma antiga casa na zona rural da Normandia e seguem os passos de seus antepassados na Paris de finais do século 19. Leia a resenha.
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