Pular para o conteúdo

PUBLICIDADE

Arte indígena contemporânea ocupa a Fundação Ecarta em nova temporada expositiva

Mostras de Xadalu Tupã Jekupé, Isabelle Foliatti e Vherá Mirim Sergio propõem diálogos entre arte contemporânea, ancestralidade e permanência cultural

Arte indígena contemporânea ocupa a Fundação Ecarta em nova temporada expositiva
Obra "Nhamandu Rembietchara A Jerojy / Dançando para o Sol", de 2023

A Fundação Ecarta abre nesta sexta-feira (22/05), 19h, uma nova temporada expositiva na reunindo três projetos que dialogam com memória, oralidade, permanência e cosmologias indígenas contemporâneas.

A programação apresenta as exposições “Tape – Estudo dos Caminhos”, do artista indígena Xadalu Tupã Jekupé, pinturas e desenhos de Isabelle Foliatti, sobre “Exercícios de Permanência: Oralidade e Memória”, no Projeto Potência, e esculturas do professor-artista Vherá Mirim Sergio, da Escola Estadual Indígena Anhetenguá.

No dia da abertura, a programação inclui ainda uma edição do projeto Ecarta Conversa, das 17h às 19h, na Sala 03, promovendo um espaço de diálogo sobre processos de criação, pensamentos curatoriais e arte-educação com a presença dos artistas, curadores e professores.

Releitura do legado Jesuítico-Guarani

A mostra “Tape – Estudo dos Caminhos”, tem curadoria de Aldones Nino, atual curador do Collegium (Arevolo/Espanha), e resulta de uma pesquisa artística realizada por Xadalu a convite da Universidade do Vale do Rio do Sinos. Integrando as celebrações dos 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani, a exposição propõe uma releitura contemporânea desse legado histórico a partir da arte indígena, conectando memória, cosmologia guarani, pesquisa histórica e pintura.

Guiada pelo conceito de tape — “caminho”, em guarani — a exposição constrói um percurso por narrativas frequentemente invisibilizadas pela historiografia tradicional. Reunindo duas pinturas inéditas e uma série de estudos preparatórios para trabalhos futuros, o projeto dá continuidade à pesquisa desenvolvida por Xadalu na última década em torno do que o artista define como um barroco jesuítico contemporâneo.

Reconhecido nacional e internacionalmente, Xadalu Tupã Jekupé é o primeiro indígena a ocupar uma cadeira do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, feito recente da trajetória do artista que desenvolve uma produção que articula mito, espiritualidade e crítica à colonialidade. O indígena guarani já realizou residências na França, Espanha, Itália, Chile e Alemanha, e possui obras em importantes coleções públicas e privadas, entre elas o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu de Arte Moderna de São Paulo, a Pinacoteca do Estado de SP, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, o Museu de Arte Contemporânea do RS e a Fundação Iberê Camargo.

A programação também destaca a presença do professor-artista Vherá Mirim Sergio e da Escola Estadual Indígena Anhetenguá, localizada no território Tekoá Anhetenguá, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. A iniciativa evidencia práticas pedagógicas e artísticas vinculadas à transmissão de saberes ancestrais guarani, por meio da música, dos cantos e da produção artesanal em madeira, reafirmando a relação entre comunidade, território, espiritualidade e preservação ambiental.

Vherá apresenta esculturas em madeira que carregam a cosmologia guarani integrando o espaço Professor Artista/Artista Professor da Ecarta.

Apagamento e memória

A exposição “Exercícios de Permanência: Oralidade e Memória”, com curadoria de Katia Prates, ocupa a sala do Projeto Potência com quatro pinturas a óleo sobre lona de algodão e quatro desenhos em sanguínea e pastel seco, compondo um conjunto que tensiona memória individual, tradição oral e permanência simbólica.

O trabalho de Isabelle Foliatti parte da descoberta de fotografias antigas guardadas na casa da família, em Santa Rosa, e do diálogo com as memórias compartilhadas por sua avó, Edi Ribeiro.

A partir desse arquivo afetivo, a artista desenvolve uma série de pinturas e desenhos que investigam os limites entre lembrança, esquecimento e imaginação. Os trabalhos reconstroem fragmentos de histórias familiares ligadas à região de Guarani das Missões e refletem sobre o apagamento inevitável provocado pelo tempo.

Abertura de três exposições alusivas aos 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani

Galeria Ecarta
“Tape – Estudo dos Caminhos”
de Xadalu Tupã Jekupé
Curadoria de Aldones Nino

Projeto Potência
“Exercícios de Permanência: Oralidade e Memória”
de Isabelle Foliatti, curadoria de Katia Prates

Projeto Professor Artista/Artista Professor
Vherá Mirim Sergio
Escola Estadual Indígena Anhetenguá

Data: 22 de maio de 2026, 19h
Ecarta Conversa: às 17h - Sala 03
Visitação: até 28 de junho de 2026
Entrada franca
Fundação Ecarta – Avenida João Pessoa, 943, Porto Alegre/RS

Mais em Cultura

Ver tudo

Mais de Redação Matinal

Ver tudo