A Fundação Ecarta abre nesta sexta-feira (22/05), às 19h, uma nova temporada expositiva reunindo três projetos que dialogam com memória, oralidade, permanência e cosmologias indígenas contemporâneas.
A programação apresenta as exposições Tape – Estudo dos Caminhos, de Xadalu Tupã Jekupé, pinturas e desenhos de Isabelle Foliatti em Exercícios de Permanência: Oralidade e Memória e esculturas do professor-artista Vherá Mirim Sergio, da Escola Estadual Indígena Anhetenguá.
No dia da abertura, a programação inclui ainda uma edição do projeto Ecarta Conversa, das 17h às 19h, promovendo um espaço de diálogo sobre processos de criação, pensamentos curatoriais e arte-educação com a presença dos artistas, curadores e professores.
Releitura do legado Jesuítico-Guarani
A mostra Tape – Estudo dos Caminhos, tem curadoria de Aldones Nino, atual curador do Collegium (Arevolo/Espanha), e resulta de uma pesquisa artística realizada por Xadalu a convite da Universidade do Vale do Rio do Sinos. Integrando as celebrações dos 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani, a exposição propõe uma releitura contemporânea desse legado histórico a partir da arte indígena, conectando memória, cosmologia guarani, pesquisa histórica e pintura.
Guiada pelo conceito de tape — “caminho”, em guarani — a exposição constrói um percurso por narrativas frequentemente invisibilizadas pela historiografia tradicional. Reunindo duas pinturas inéditas e uma série de estudos preparatórios para trabalhos futuros, o projeto dá continuidade à pesquisa desenvolvida por Xadalu na última década em torno do que o artista define como um "barroco jesuítico contemporâneo".
Reconhecido nacional e internacionalmente, Xadalu é o primeiro indígena a ocupar uma cadeira do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, feito recente da trajetória do artista, que desenvolve uma produção que articula mito, espiritualidade e crítica à colonialidade.
A programação também destaca a presença do professor-artista Vherá Mirim Sergio e da Escola Estadual Indígena Anhetenguá, localizada no território Tekoá Anhetenguá, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. A iniciativa evidencia práticas pedagógicas e artísticas vinculadas à transmissão de saberes ancestrais guarani, por meio da música, dos cantos e da produção artesanal em madeira, reafirmando a relação entre comunidade, território, espiritualidade e preservação ambiental.
Vherá apresenta esculturas em madeira que carregam a cosmologia guarani integrando o espaço Professor Artista/Artista Professor da Ecarta.
Apagamento e memória
A exposição Exercícios de Permanência: Oralidade e Memória, com curadoria de Katia Prates, ocupa a sala do Projeto Potência com quatro pinturas a óleo sobre lona de algodão e quatro desenhos em sanguínea e pastel seco, compondo um conjunto que tensiona memória individual, tradição oral e permanência simbólica.
O trabalho de Isabelle Foliatti parte da descoberta de fotografias antigas guardadas na casa da família, em Santa Rosa, e do diálogo com as memórias compartilhadas por sua avó, Edi Ribeiro. A partir desse arquivo afetivo, a artista desenvolve uma série de pinturas e desenhos que investigam os limites entre lembrança, esquecimento e imaginação. Os trabalhos reconstroem fragmentos de histórias familiares ligadas à região de Guarani das Missões e refletem sobre o apagamento inevitável provocado pelo tempo.
Abertura de três exposições alusivas aos 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani
Galeria Ecarta
“Tape – Estudo dos Caminhos”
de Xadalu Tupã Jekupé
Curadoria de Aldones Nino
Projeto Potência
“Exercícios de Permanência: Oralidade e Memória”
de Isabelle Foliatti, curadoria de Katia Prates
Projeto Professor Artista/Artista Professor
Vherá Mirim Sergio
Escola Estadual Indígena Anhetenguá
Data: 22 de maio de 2026, 19h
Ecarta Conversa: às 17h - Sala 03
Visitação: até 28 de junho de 2026
Entrada franca
Fundação Ecarta – Avenida João Pessoa, 943, Porto Alegre/RS