Exibido na competição do recente 30º Cine/PE, o documentário BuenosAires (2026) revela o que para muitos pode parecer uma surpresa inusitada: uma cidadezinha do interior pernambucano batizada com o mesmo nome da capital da Argentina. O simpático e divertido filme dirigido por Tuca Siqueira leva para o cinema o cotidiano da pequena comunidade que busca alguma conexão com a metrópole portenha de mesmo nome por meio de manifestações como o futebol e a torcida pelo país vizinho na Copa do Mundo passada.
“Haverá distâncias entre o que se quer ser, e o que se pode ser”, afirma a narração em voice over do longa. Localizada a 79 km de Recife, a Buenos Aires pernambucana tem cerca de 13 mil habitantes e carrega no cotidiano marcas dessa curiosa relação com a cidade argentina. Mostrando o time de futebol local que se chama Boca Juniors, a idolatria pelo craque Lionel Messi e as casas pintadas em cores vibrantes inspiradas no Caminito portenho, o filme observa como o imaginário argentino atravessa a paisagem cultural da cidade nordestina.

“Simbolicamente, o filme projeta uma imagem complexa e poética de um Nordeste que rompe com estereótipos de fome e miséria. Concluímos as filmagens durante a última Copa do Mundo e é uma alegria que ele ocupe os cinemas na Copa de 2026”, diz a realizadora Tuca Siqueira a respeito da produção, que define como um "documentário paisagem”.
Apresentando personagens, paisagens e contrastes sociais de uma pequena localidade da Zona da Mata pernambucana, BuenosAires constrói uma crônica leve sobre pertencimento, desejo e identidade coletiva, observando os sonhos e as contradições de uma comunidade que ao mesmo tempo celebra a cultura popular regional do maracatu e torce pela Argentina contra o Brasil.

BuenosAires: * * * *
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