Criadas (2025) aborda com sensibilidade as marcas do racismo estrutural ao mostrar o reencontro entre duas primas que cresceram juntas na mesma casa, mas ocuparam lugares radicalmente diferentes dentro dela. O filme parte de uma história íntima para atravessar temas como colorismo, memória, herança colonial e as estruturas invisíveis que ainda moldam as relações entre mulheres negras no Brasil.
Na trama do longa de estreia da diretora e roteirista de Carol Rodrigues, a engenheira Sandra (Mawusi Tulani) é uma mulher preta retinta que retorna à casa da prima Mariana (Ana Flavia Cavalcanti), chef de cozinha negra de pele clara, em busca de fotografias da mãe, antiga empregada residente da família. À medida que as duas se aproximam novamente, fantasmas da infância, da ancestralidade e de feridas nunca elaboradas começam a emergir.

A atriz angolana Rudmira Fula interpreta Raquel, mulher imigrante responsável pela limpeza da casa e peça fundamental para tensionar os diferentes atravessamentos da experiência negra diaspórica presentes na trama. “A casa guarda aquilo que as personagens tentaram esquecer. Era importante para mim pensar o espaço como uma presença viva, que observa, cobra e devolve memórias”, afirma a diretora Carol Rodrigues.
Por suas atuações, as protagonistas Mawusi Tulani e Ana Flavia Cavalcanti receberam o prêmio de Melhor Atriz na mostra Novos Rumos do Festival do Rio. Misturando drama psicológico, realismo fantástico e horror subjetivo, Criadas constrói uma atmosfera em que a casa deixa de ser apenas cenário para se tornar arquivo vivo das violências, silêncios e afetos que atravessam gerações de uma família negra.


Criadas: * * *
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