Exibido no 71º Festival Internacional de Cinema de Berlim, dentro da mostra Panorama, Feliz Aniversário em Belgrado (2021) é ambientado durante uma festa nada convencional na capital sérvia em 1993. Na comédia dramática escrita e dirigida por Milica Tomović, o oitavo aniversário da pequena Minja é um caos que ecoa a situação política, econômica e social do seu país.
Na trama, Marijana (Dubravka Kovjanic) organiza uma festa à fantasia para o aniversário de oito anos da filha, com a presença de familiares e outros pais. Aproveitando a rara oportunidade em que as crianças estão entretidas em outro cômodo, os adultos abrem algumas garrafas na cozinha e desfrutam do reencontro.
Mas não o que comemorar na Sérvia do começo dos anos 1990: o país está em guerra, todos sofrem com as sanções e a inflação. A vida, porém, segue ⎯ cada um faz o que pode.

A instabilidade e a precariedade refletem-se na festa da adorável menina: em vez de um cocker spaniel para chamar de seu, Minja (Katarina Dimic) tem o cachorro de três patas do vizinho para brincar por algumas horas, o bolo foi feito com margarina de qualidade duvidosa e não tem refrigerante na reunião ⎯ em compensação, pode-se beber refresco de pozinho servido em garrafas de Coca-Cola.
Na sala de estar, a aniversariante e seus colegas pulam vestidos de Tartarugas Ninja. Uma mulher esfrega seu novo relacionamento na cara da ex, há discussões acaloradas sobre quem é o culpado pelo colapso da Iugoslávia, enquanto a noite avança regada a álcool, cigarros e flertes.


“Meu desejo era fazer um filme divertido, louco, nostálgico e emocionante, que o público gostaria que nunca acabasse. É uma obra sobre o desaparecimento de um país e a perda de identidade, retratado através de três gerações diferentes dentro de uma família: quis lidar simultaneamente com a minha infância e com a minha vida adulta, prendendo-as dentro de uma casa e de um dia”, comenta a diretora Milica Tomović sobre seu longa de estreia. “Esse filme aponta que o que a geração dos meus pais testemunhou e viveu nos anos noventa tem tudo a ver com o que vivemos e testemunhamos agora.”
Em seu olhar ao mesmo tempo carinhoso e mordaz para a sociedade sérvia a partir de uma família comum, com seus amigos e vizinhos, Feliz Aniversário em Belgrado remete ao cinema anárquico e libertário de realizadores ativos durante o período comunista e seus posteriores estertores nos países dos Bálcãs, como o sérvio Dusan Makavejev, de O Homem Não É um Pássaro (1965) e Montenegro (1981), e o bósnio Emir Kusturica, de Vida Cigana (1988) e Underground: Mentiras de Guerra (1995).

Feliz Aniversário em Belgrado: * * * *
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