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Geraldo Azevedo celebra 80 anos pensando no futuro

Músico pernambucano apresenta-se no Teatro do Bourbon Country no sábado

Geraldo Azevedo celebra 80 anos pensando no futuro
Thiago Lemos/Divulgação

Após celebrar 80 anos em 2025, Geraldo Azevedo traz a Porto Alegre a turnê Oitentação. O cantor, compositor e violonista pernambucano apresenta-se com sua banda no sábado (23/5), às 21h, Teatro do Bourbon Country. O show contará com a participação especial de Vitor Ramil

"Celebrar 80 anos trabalhando, cantando as canções que marcaram a minha vida, é um presente enorme. Esse show é um encontro muito bonito com o público, com a minha história e com a música”, diz Geraldo, que é acompanhado no palco pelo diretor musical César Michiles (flauta), Romero Medeiros (teclado), Johnanthan Malaquias (sanfona e voz), Júnior Xanfer (guitarra), Toninho Tavares (baixo), Augusto Silva (bateria) e Jerimum de Olinda (percussão e voz).

O repertório do espetáculo Oitentação – que já ganhou registro ao vivo – inclui sucessos como Dona da Minha Cabeça, Dia Branco, Táxi Lunar, Moça Bonita, Bicho de Sete Cabeças e Chorando e Cantando, canções inéditas e releituras como O Sal da Terra, canção de Beto Guedes e Ronaldo Bastos.

Na entrevista exclusiva a seguir, Geraldo Azevedo comenta a respeito de sua longa trajetória, elogia Vitor Ramil e antecipa planos para o futuro – reafirmando a força de sua obra e a conexão duradoura com diferentes gerações.

Júnior Penha/Divulgação

Chegar aos 80 anos ativo e criativo merece comemoração especial mesmo. Qual é a avaliação que você faz de sua carreira olhando em retrospecto?
É claro que a gente tem de celebrar tudo o que se passa, e quanto mais tempo passar, mais a gente fica orgulhoso da nossa trajetória. Acho que a minha carreira foi muito positiva, porque houve muita criação, muita interação com as pessoas, com os meus parceiros, com os meus amigos. Tenho muitos amigos nessas estradas por aí, e um público que abraça a minha obra, cantando comigo em tantos lugares deste mundo. No Brasil, então, é a melhor coisa do mundo. É o povo melhor do mundo. Mas a gente também passa por tantos lugares por aí que vê que vai deixar uma marca na vida das pessoas.

Como é o show Oitentação?
Oitentação é a celebração dessa trajetória que a gente está falando. Procuramos fazer algumas músicas marcantes, que condizem com essas celebrações. Tem muitas canções que atravessaram décadas, séculos, milênios e estão vivas. E a gente ainda apresenta coisas novas também. Cada show sempre é uma surpresa diferente. Nesta nova etapa agora tem até convidados. Em cada apresentação vai ter um convidado local, alguma coisa assim. Ou não. O fato é que o público sempre está presente e participando de uma maneira muito ativa.
A apresentação em Porto Alegre contará com a presença especial de Vitor Ramil. Como será essa participação? O que você acha do trabalho desse artista gaúcho?

A apresentação em Porto Alegre contará com a presença especial de Vitor Ramil. Como será essa participação? O que você acha do trabalho desse artista gaúcho?
Eu estou muito orgulhoso da participação dele, porque sempre fui um admirador do Vitor Ramil. Claro que eu gosto da família inteira, mas o Vitor é muito especial, um compositor fora do comum, é um artista maravilhoso. Eu não tenho tanta intimidade com ele assim como eu tenho com o Kleiton e o Kledir, com quem eu convivi mais. A expectativa é muito grande, porque ele tem muita musicalidade, tenho certeza que vai entrar no meu trabalho com muito ardor.

Deivyd Souza/Divulgação

Você acompanha a nova música brasileira? O que você tem escutado?
A música brasileira é de uma universalidade muito grande, parar e dizer o que você está ouvindo é difícil, porque é tanta novidade que aparece. Mudou muito, inclusive, da minha geração para a geração de agora, as tendências que existem. Então você fica ouvindo tanta coisa que aparece de funk, de rap e de canções também. O fato é que a gente ouve um bocado de coisa misturada, tem gente que eu ouço e fico admirado, e às vezes não sei nem o nome, mas fico encantado com toda a movimentação dessa diversidade que a música brasileira tem. A gente fica sempre encantado com essa verve brasileira, que é muito rica.

Existe a possibilidade de uma reedição do projeto O Grande Encontro?
A gente nunca parou com O Grande Encontro, não. É uma coisa viva, ela sempre está aí na expectativa de ver quando... É verdade que a gente nunca mais fez completo com os quatro como começou. Eu me lembro que a gente fez uma grande etapa de Alceu Valença, Zé Ramalho e Elba Ramalho, e agora estamos fazendo eu, Elba e Alceu, e está dando certo. A gente já tem 10 anos de comemoração de 20 anos, e esses 20 anos se prolongaram para quase uns 30. A gente continua fazendo, ainda tem propósito de show aí. Temos essa ligação muito forte. Eu também tenho um show com a Elba chamado Encontro Inesquecível, que a gente faz de vez em quando, não só no Brasil como também fora. Então, são muito importantes esses encontros, porque alimentam essa irmandade que a gente tem e mata a saudade dessas pessoas que fazem parte do começo da nossa vida, mas que, pela carruagem andar muito, terminamos encontrando pouco. Então, O Grande Encontro dá essa possibilidade de a gente se confraternizar.

Quais são seus planos futuros, além de ficar na estrada com esse show até ele virar Noventação?
Olha, enquanto eu tiver 81, 82, 83, o Oitentação ainda pode existir. Pode também mudar a cara dele, porque para fazer esse show foi difícil. Você selecionar músicas em uma carreira de quase 60 anos, de não sei quantos discos gravados, tem que deixar algumas de lado. Já estamos na segunda etapa do Oitentação, já mudou alguma coisa do repertório, cada vez mais vai mudando. Mas eu estou com muita música nova, já estou gravando disco novo também. A gente fala disco, que nem existe mais, mas eu sonho ainda em ter o objeto na mão, adoro ter esse negócio de LP, de CD. Mas o fato é que, hoje em dia, gravo e boto no streaming. Além de ter lançado já o projeto Oitentação no streaming, uma seleção da primeira etapa, estou fazendo um disco de estúdio também, junto com meus parceiros de estrada, que é a banda que está comigo, que tem a direção de César Michiles.

Júnior Penha/Divulgação
Roger Lerina

Roger Lerina

Jornalista e crítico de cinema. Editou de 1999 a 2017 a coluna Contracapa sobre artes, cultura e entretenimento, publicada no Segundo Caderno do jornal Zero Hora.

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