O desaparecimento de líder estudantil Honestino Guimarães é um emblemático caso da violência de Estado durante a ditadura militar brasileira. O documentário Honestino (2025) recupera a história do ex-presidente da UNE e aluno da Universidade de Brasília preso em 1973, aos 26 anos. O novo filme do diretor Aurélio Michiles conta com a participação do ator Bruno Gagliasso, que interpreta o personagem em trechos com recriações dramáticas.

Fusão entre documentário e ficção, o longa narra a trajetória de Honestino Guimarães a partir de cartas, poemas, imagens de arquivo, depoimentos de familiares, amigos, políticos e militantes – como Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil. Essa pluralidade de vozes – que inclui ainda as recordações familiares emocionadas de Juliana Guimarães, filha de Honestino – ajuda a revelar a dimensão humana e política do jovem estudante de geologia que se engajou na luta contra o regime autoritário.

Estudante de arquitetura na UnB entre 1970 e 1973, o realizador manauara Aurélio Michiles ficou conhecido pelo filme O Cineasta da Selva (1997), que recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais. A motivação pessoal do diretor também atravessa a obra: amigo de Honestino na juventude, Michiles acompanha desde 1968 a memória do líder estudantil.
Décadas depois, um vídeo do neto de Honestino gravado durante a reinauguração da ponte que leva o nome do avô em Brasília, foi o impulso final para que o projeto fosse realizado. “Nosso propósito é não deixar o personagem congelado numa fotografia antiga, mas torná-lo tangível, vivo. O ontem é hoje e o hoje pode ser o futuro”, define Michiles.
Ao relembrar a vida do jovem militante, Honestino alerta para a necessidade de não esquecer o período recente da história brasileira marcado por prisões arbitrárias, torturas, assassinatos e desaparecimentos.


Honestino: * * *
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