Exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes, o filme francês Nino de Sexta a Segunda (2025) acompanha um jovem atordoado ao descobrir em um exame de rotina que está com câncer. Sem saber como contar a notícia aos que ama e obrigado a lidar com a perspectiva do tratamento que começará em poucos dias, o protagonista atravessa Paris em um fim de semana decisivo.
Estreia em direção de longa-metragem de Pauline Loquès, Nino de Sexta a Segunda levou o César de Melhor Primeiro Filme. A principal premiação do cinema francês ainda destacou Théodore Pellerin como Melhor Ator Revelação – a atuação do canadense também foi premiada em Cannes.
Além de Pellerin como Nino, o filme conta no elenco com nomes como a excelente atriz Jeanne Balibar, no papel da mãe do personagem central – além da participação especial do ator e diretor Mathieu Amalric.
Mais do que um drama sobre doença, Nino de Sexta a Segunda constrói sua narrativa no intervalo entre o choque e a elaboração, o anúncio e a possibilidade de seguir em frente. Pauline Loquès explicou em entrevista que a origem do projeto está numa perda pessoal: a morte de um jovem próximo, vitimado por um câncer
agressivo aos 37 anos. A partir dessa experiência dolorosa, a diretora decidiu escrever um filme que buscasse não a fatalidade, mas a possibilidade de reinvenção.

Ao escolher acompanhar apenas os dias entre o diagnóstico e o início do tratamento de Nino, Loquès se afastou da dramaturgia médica convencional para
investigar o tempo da suspensão e da vida comum que continua mesmo quando tudo parece ter mudado. Da mesma forma, o filme reconfigura a cidade: Paris não surge como cartão-postal, mas como um organismo em permanente transformação, indiferente ao colapso íntimo de Nino – ressaltando o contraste entre a violência do acontecimento e a banalidade do entorno, entre a gravidade do tema e os pequenos acidentes do cotidiano.
Já o câncer de garganta de Nino simboliza também uma crise de comunicação: o centro da fala do personagem é atingido, e a dificuldade de dizer o que está acontecendo consigo se torna tão importante quanto o próprio acontecimento.
Nino de Sexta a Segunda remete a Cléo das 5 às 7 (1962), clássico filme escrito e dirigido por Agnès Varda sobre uma jovem cantora que perambula pela capital francesa durante as duas horas em que tem de aguardar o resultado de um exame que vai verificar se ela está com câncer.

Nino de Sexta a Segunda: * * * * *
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