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'Tambor Sem Fronteiras': doc retrata a cultura dos tambores afro-uruguaios

Com musicalidade, dança e histórias para celebrar, longa-metragem de Adriana Gonçalves Ferreira traz uma visão feminina e poética do candombe​

'Tambor Sem Fronteiras': doc retrata a cultura dos tambores afro-uruguaios
​Carlos Maria Dutra, mestre da cultura popular do candombe - crédito: Finish Produtora

O candombe é uma expressão cultural e musical afro-uruguaia, baseada no toque de três tambores (piano, repique e chico), que acompanham desfiles de rua, especialmente no Carnaval de Montevidéu. Embora se destaque nesta festa, o candombe acontece o ano todo, sendo uma cultura permanente na capital uruguaia. Mistura de música e dança, simboliza resistência, identidade e ancestralidade da comunidade afro-uruguaia. Desde 2009, o candombe é reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Com esta temática, a produção gaúcha "Tambor Sem Fronteiras", da bajeense Adriana Gonçalves Ferreira, chega aos cinemas em três sessões especiais e comentadas pela equipe. No dia 8 de maio, a produção gaúcha passa em Porto Alegre, na Cinemateca Paulo Amorim, às 19h30min.

"Tambor Sem Fronteiras" é o terceiro longa de Adriana, depois de "Fronteriz@s" (2021) e "Vila Santa Thereza" (2020). É dela também o média "Guarani Presente" (2025) e o curta Latorre, Alma Terra e Sangue (2014), exibido na TVE RS, e outras produções acadêmicas sob o tema cinema e educação, o qual é pesquisadora e atua com formação de professores e educação audiovisual. 

Adriana é publicitária, mestre em Patrimônio Cultural e doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e licenciada em Formação Pedagógica de Professores para Educação Profissional . No filme, além da direção e roteiro, também narra, muitas vezes de maneira poética, os acontecimentos, trazendo na narrativa uma linguagem performática para expressar subjetividades do ser fronteiriço feminino e sua relação com o tambor.

A perspectiva feminina é um dos destaques da produção, como diz a narração da cineasta: "A mulher do candombe não anda sozinha. É força que emana, delira, desvaira, invoca. Soy tambor". Entre os assuntos abordados pelo documentário estão a presença do candombe na fronteira e as vozes que protagonizam esse cenário, a relação entre uruguaios e brasileiros, com a chegada dos tambores afro-uruguaios no lado brasileiro da fronteira, e a fabricação de tambores como política pública. A estética pampeana compõe a narrativa fílmica.

Iniciadas em 2015, as gravações do longa ocorreram nos municípios gaúchos de Bagé, Santa Maria, Porto Alegre e Santana do Livramento, e nas cidades uruguaias de Rivera, Vichadero, Melo e Montevidéu. Segundo Adriana, a ideia surgiu a partir da aquisição de um jogo de tambores ou uma "cuerda" adquirida pelo ponto de cultura Pampa Sem Fronteiras, de Bagé. A instituição é um projeto da Associação Pró Santa Thereza, dentro da dimensão da política Cultura Viva. A partir daí começam um processo de oficinas e trocas com os saberes dos mestres da cultura afro-uruguaia, documentadas pelo filme.

"O tambor transcende limites e o candombe não exclui ninguém", aponta Adriana. Ela destaca o acolhimento da cultura candombeira à realização do documentário, que permitiu também o intercâmbio de conhecimento entre mestres uruguaios e a comunidade bajeense. O resultado dessa troca deu origem à criação do grupo local Grillos Candomberos de Bagé. "É uma cultura de união e força a qual admiro e me submeto aos aprendizados com o povo afro-uruguaio. Candombe é um sentir", sintetiza.

Símbolo de resistência e lembrança da diáspora africana, o candombe se consolidou como importante contribuição do povo negro no Uruguai, sendo celebrada em encontros realizados nas Salas de Naciones (casa de reuniões com normas específicas na qual era tocado o candombe), nas ruas e também em datas festivas como o carnaval, o famoso Desfile de Llamadas, anualmente em Montevidéu. Desde 2006, o candombe tem uma data no calendário uruguaio: 3 de dezembro, o dia nacional do candombe.

"Tambor Sem Fronteiras" conta com recursos da Lei Complementar 195/2022 (Lei Paulo Gustavo) a partir do Edital Sedac LPG 16/2023 – Audiovisual – Complementação de Longa-Metragem. Também contou com recursos do Edital Sedac Cultura Viva. Durante sua pós-produção, o projeto participou do Laboratório Sur Fronteira na categoria work in progress no Festival Internacional de Cinema da Fronteira. O filme é uma realização da Finish Produtora, de Santa Maria (RS).

Serviço

"Tambor Sem Fronteiras", de Adriana Gonçalves Ferreira
Documentário | Duração: 70 min | Verifique a classificação indicativa

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