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"Sirât" viaja no deserto guiado pela batida eletrônica

Filme espanhol indicado ao Oscar é uma experiência angustiante e sensorial

"Sirât" viaja no deserto guiado pela batida eletrônica
Retrato Filmes/Divulgação

Indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Som, o impactante Sirât (2025) teve sua estreia mundial no Festival de Cannes do ano passado, quando venceu o Prêmio do Júri. Dirigido por Oliver Laxe e produzido pelos irmãos Agustín e Pedro Almodóvar, o longa acompanha a angustiante viagem de um pai pelo deserto do Marrocos em busca da filha, ao lado de seu caçula.

Na trama do representante da Espanha na disputa pela cobiçada estatueta dourada com o brasileiro O Agente Secreto (2025), Luis (Sergi López) e seu filho Esteban (Bruno Núñez Arjona) procuram pela jovem desaparecida em uma das raves realizadas nas montanhas áridas e fantasmagóricas do sul marroquino. Em sua jornada sem pistas por um cenário inóspito e escaldante, frequentado por ameaçadoras patrulhas militares e milícias armadas, a dupla de espanhóis aproxima-se de um grupo nômade que segue festas eletrônicas no norte da África.

Retrato Filmes/Divulgação

Ao lado dos cinco baladeiros europeus, Luis e Esteban partem em caravana rumo a uma rave secreta e erma onde a garota pode estar. O caminho, porém, será repleto de obstáculos e terríveis acidentes.

Sirât recebeu duas citações ao Globo de Ouro (Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e Melhor Trilha Sonora), além de 11 indicações ao Goya, o principal prêmio do cinema espanhol. O diretor e roteirista Oliver Laxe é conhecido por filmes com narrativas fortes que provocam os sentidos do espectador, como Mimosas (2016) ⎯ premiado pela crítica no Festival de Cannes e, como Sirât, igualmente ambientado em Marrocos ⎯ e O que Arde (2019), vencedor do Prêmio do Júri da mostra Un Certain Regard, também em Cannes.

Retrato Filmes/Divulgação

Em Sirât, a batida eletrônica grave dos gigantescos alto-falantes ribomba não apenas na tela, mas transborda para a sala de cinema, convocando os espectadores a se juntarem aos ravers em sua dança extática ⎯ ao menos a se familiarizarem um pouco com essa cultura.

O título do filme serve como chave de leitura dessa obra estranha e chocante: no contexto da religião islâmica, a palavra árabe "sirât" designa a ponte estendida sobre o inferno que todas as almas devem atravessar no dia do julgamento, espécie de purgatório a ser atravessado na viagem espiritual entre o paraíso e o abismo.

Retrato Filmes/Divulgação

Sirât: * * * * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de Sirât:

Roger Lerina

Roger Lerina

Jornalista e crítico de cinema. Editou de 1999 a 2017 a coluna Contracapa sobre artes, cultura e entretenimento, publicada no Segundo Caderno do jornal Zero Hora.

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