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✉️ Luta por parque em Alvorada; IAG, a prefeitura e os postos de saúde; Plano Diretor e mais notícias desta segunda-feira

Edição #1678

✉️ Luta por parque em Alvorada; IAG, a prefeitura e os postos de saúde; Plano Diretor e mais notícias desta segunda-feira
Foto: Marcelo Chardosim / Parque da Solidariedade

Olá! Abrimos a semana contando sobre a mobilização popular para tentar salvar uma área verde em Alvorada, na região metropolitana. Na edição de hoje, também tratamos de:

🩺 Ao menos três vezes prefeitura beneficiou entidade que assumiu postos de saúde

🌆 Melo não indica se irá vetar trechos do novo Plano Diretor, que terá regra de transição para novos projetos

🗳️ Juremir Machado ingada: a democraia está com os dias contados?

⚽ Nando Gross escreve sobre um silêncio incompreensível de Messi

( ) Entrevista com Beatriz Besen, que pesquisou os jovens e as novas direitas

🙎‍♀️ Marcela Donini escreve sobre a aprovação do Senado para o uso de spray de pimenta por mulheres

🎶 Roger Lerina resenha um documentário sobre o músico Toquinho

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Previsão do tempo: A semana, que será marcada pelo primeiro evento do El Niño desta temporada, começa com sol e muitas nuvens em Porto Alegre. A mínima é de 8°C e a máxima bate nos 16°C.

Prefeitura de Alvorada é proibida de leiloar parque criado pela comunidade

Mais de 150 pessoas se reuniram em um abraço simbólico ao Parque da Solidariedade, em Alvorada, no dia 5 de julho.  A manifestação foi um protesto contra o leilão da área de 23 hectares com vegetação remanescente da Mata Atlântica. O plano do prefeito Douglas Martello (PL) é dividir a área em 559 lotes e vendê-los a um lance inicial de R$ 18,3 milhões – sem qualquer estudo ambiental para fundamentar a venda. 

O espaço era um terreno baldio e foi adotado pela comunidade. A iniciativa partiu do artista Marcelo Chardosim e mobilizou os moradores para limpar a área e plantar espécies nativas, entre 2017 e 2018. A prefeitura, sob a gestão de José Appolo (MDB), chegou a disponibilizar caçambas e caminhões para a limpeza em 2019. Nesse período, descobriu-se que o local pertencia à construtora Habitasul — parte dele foi repassado ao município para pagar dívidas de IPTU.

Em 2023, Appolo rompeu com o movimento e decidiu vender a área pública. A gestão de Martello seguiu com o projeto – e, segundo Chardosim, passou a negligenciar o parque. “Para mostrar que aqui não deve ser parque, a prefeitura não corta a grama, não faz nenhuma limpeza no entorno da área, em uma estratégia de induzir as pessoas de que a área tem que ser desmatada.”

A comunidade recorreu ao MP questionando a existência de estudos ambientais. A prefeitura respondeu por ofício, ao qual a Matinal teve acesso: o documento assinado pelo secretário de Meio Ambiente, Cristiano Holstein, confirma que “não existem estudos técnicos ambientais disponíveis”.

Dois dias após o abraço, a juíza Patrícia Antunes Laydner suspendeu o leilão, reconhecendo a possível existência de nascentes, banhados e corredores ecológicos no local, além de “uso comunitário consolidado” e ausência de estudos ambientais.

A deputada Sofia Cavedon (PT) protocolou ação no Ministério Público de Contas questionando a legitimidade da venda: a lei municipal que autorizou o leilão prevê aplicar os recursos em obras públicas, o que, segundo Cavedon, contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Questionada, a prefeitura de Alvorada não respondeu à Matinal. O espaço segue aberto.

Leia a reportagem completa:

Comunidade luta na justiça contra prefeitura para ter um parque em Alvorada
Gestão quer vender área de cerca de 23 hectares por R$ 18,3 milhões sem estudos técnicos ambientais. Justiça barrou o leilão


O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER

Prefeitura favoreceu entidade que assumiu postos de saúde em três ocasiões

O Instituto de Apoio à Gestão Pública (IAG), organização que assumiu a gestão de 67 postos de saúde na zona leste e norte de Porto Alegre, foi favorecida pela prefeitura em três ocasiões diferentes. Conforme a Matinal revelou, a entidade perdeu o prazo para envio de documentações em duas ocasiões.  Apesar da Procuradoria-Geral do Município (PGM) declarar que o erro era “insanável”, o órgão, posteriormente, voltou atrás, e a IAG continuou na disputa. Após a IAG ter enviado quase duas horas atrasado, a entidade recorreu argumentando que o prazo era ilegal. A PGM aceitou o argumento e mudou de posição.  Porém, também perdeu o prazo a Organização Saúde em Movimento (ASM), fato que contou para sua desclassificação. 

Além disso, apesar do edital declarar ser vedada a alteração das propostas, a SMS pediu quatro correções no plano de trabalho da IAG.  As demais entidades recorreram, alegando violação do edital e vantagem indevida. Para os concorrentes, a IAG mexeu na composição interna de custos e, inicialmente, omitiu gastos essenciais, o que deveria levar à desclassificação. O ato foi validado pela prefeitura.

O município também anuiu com a proposta salarial inferior da IAG antes de ela vir a público. A proposta incluía 30% dos médicos contratados como PJs, o qual a IAG voltou atrás. O anúncio gerou uma série de manifestações e uma ação civil pública movida pelo Simers pedindo anulação do edital: sem médicos contratados como PJs, a IAG não atendeu ao valor mínimo destinado à contratação de pessoal.

Porém, na primeira semana à frente das unidades, devido à dificuldade de captação, a prefeitura autorizou a contratação por este regime, mas somente em vagas delimitadas. Segundo o Simers, esses contratos estariam sendo operados por meio de uma “quarteirização” – ou seja, por intermédio de outras entidades que não o IAG. 

A reportagem investigou a captação de médicos: um contato, que se identificou como parte da IAG, disse que as empresas Promed e I3 Serviços em Saúde estavam fazendo a divulgação das vagas da IAG, “para captação dos médicos”, e reiterou a validade de anúncio que abrange outras unidades que não as autorizadas pela prefeitura.

Prefeitura favoreceu entidade que assumiu postos em três ocasiões
IAG enviou perdeu prazos que desclassificou seus concorrentes, enviou proposta com erros e agora ganha o direito de contratar sem CLT

Sem indicar possíveis vetos, Melo promete regulamentação do Plano Diretor no prazo

Começa a contar hoje o prazo para que o prefeito Sebastião Melo (MDB) sancione os textos que compõem o novo regramento urbanístico de Porto Alegre: o Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS) e a Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS). As redações finais de ambas as normas foram enviadas pela Câmara na última sexta, quase dois meses após a aprovação em plenário. 

Ao receber os textos, Melo não adiantou se irá vetar trechos incorporados pelos vereadores às matérias e comprometeu-se em regulamentar a legislação dentro do prazo de seis meses, para evitar o que chamou de “vácuos” nas leis. Juntos, os dois projetos receberam mais de 500 emendas, das quais 127 emendas e 23 subemendas foram incorporadas. 

O prefeito falou que quer evitar qualquer risco de insegurança jurídica que possa vir a prejudicar o setor da construção, cuja empregabilidade foi elogiada por Melo. Enquanto a regulamentação não for concluída, o município deve adotar regras de transição para novos projetos.  

A redação final do PDUS e da LUOS chegou ao paço em paralelo à tramitação de uma ação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/RS) na Justiça Federal. O conselho visa a suspensão da aplicação do novo Plano Diretor por conta de vícios de origem durante a revisão, como a falta de participação popular e de transparência.

Sem indicar possíveis vetos, Melo promete regulamentação do Plano Diretor no prazo
Redações finais do Plano Diretor Urbano Sustentável e da Lei de Uso e Ocupação do Solo foram enviadas à prefeitura nesta sexta

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Para onde foram os pardais de Porto Alegre?

O pardal, uma das espécies de ave mais adaptadas aos grandes centros urbanos, predominava em parques, calçadas e árvores de Porto Alegre. Mas, recentemente, o pardal tem sido visto cada vez menos na capital. Segundo o relato de Ismael Franz, professor do departamento de zoologia da UFRGS, a GZH, o sumiço está relacionado com aspectos nutricionais e reprodutivos.

A ave se alimenta predominantemente de grãos, que são escassos na capital gaúcha. Além disso, o pardal é vítima da verticalização da cidade: ele costumava entrar nas calhas ou fissuras das casas para fazer seu ninho. Com a diminuição do seu micro-habitat, o pardal tem desaparecido da cidade.

OUTRAS NOTÍCIAS
Começou a funcionar na sexta o Centro de Informação em Saúde e Clima. Porto Alegre recebeu uma das primeiras unidades do país, que tem como objetivo preparar o SUS diante dos efeitos das mudanças climáticas.
Prefeitura e BNDES assinaram contrato de financiamento para a compra de 100 ônibus elétricos. Os veículos serão repassados às empresas por meio de subvenção.
A prefeitura estabeleceu os procedimentos para identificação, fiscalização e intervenção no âmbito do recém aprovado Cadastro Municipal de Imóveis Abandonados.
Começou ontem o 39º Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, cuja programação vai até quarta-feira, na Fiergs.
A Aliança pela Inovação – composta pela UFRGS, PUCRS, Unisinos e UFCSPA – entregou, entre o último dia 27 e este domingo, carta de intenções elaborada pelos reitores das universidades para os candidatos ao governo estadual nas eleições de 2026.
O governador Eduardo Leite (PSD) recorreu ao STF para questionar a decisão que reconheceu aos servidores públicos estaduais o direito de receber o auxílio-refeição durante as férias.
O município de Alvorada irá receber quase 97 milhões de reais do governo do estado para obras contra alagamentos. As intervenções, porém, devem ficar prontas apenas a partir do ano que vem.
Nem um ano após o incêndio que afetou sua área, o Santuário Voz Animal, em Eldorado do Sul, teve parte de sua estrutura destruída pelo temporal de sábado. A entidade atende a 300 animais e pede ajuda.
Aliás, Eldorado foi a cidade mais afetada pelo temporal. O município contabilizou 640 desalojados até ontem à tarde em razão de destelhamentos. A prefeitura local decretou situação de emergência.
Falando em clima, nesta semana deve ocorrer o primeiro evento relacionado ao El Niño deste ano no estado, mesclando calor e temporais por um período de cinco a sete dias a partir de quarta.
Com leilão previsto para dezembro, o cronograma para a nova concessão da Malha Sul ferroviária deve sofrer atrasos. Setores empresariais e o governo federal ainda discutem sobre o melhor formato da licitação.
O RS está com oportunidades em 13 concursos atualmente. Há 379 vagas em disputa, com salários de até 20 mil reais.
Hoje o tema da coluna de Juremir Machado da Silva é a democracia e seus desafios. Leia o texto completo.
Nando Gross: “A genialidade de Messi é indiscutível. O seu silêncio diante do racismo, não.”
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Beatriz Besen: “O engano está justamente na ideia de que a perspectiva política das pessoas sempre forma um todo coerente”

Entrevista por Luísa Kiefer

Psicóloga e pesquisadora com uma trajetória marcada pela interdisciplinaridade entre a psicologia política e a sociologia, Beatriz Besen lançou recentemente o livro Novas Direitas: Juventude Além dos Extremos, pela editora Vozes. Nele, a autora investiga o engajamento crescente de jovens em movimentos conservadores, liberais e nacionalistas no Brasil e na Alemanha. Para isso, Besen entrevistou dezesseis brasileiros e alemães, de 18 a 32 anos, entre 2022 e 2023, com a premissa de escutá-los sem julgamentos, por mais que algumas posições ultrapassem as suas próprias convicções.

Leia a entrevista completa →

Spray de pimenta

A responsabilidade de proteger-se contra a violência de gênero sempre recaiu sobre as próprias mulheres. No final de junho, ganhamos mais uma ferramenta de sobrevivência. Foi autorizada, pelo Senado, a venda de spray de pimenta para mulheres. Agora sim!

Nem vou entrar no mérito de ter de estar preparada para usar esse tipo de artifício ou calcular o risco de reagir numa situação dessas. A questão não é ser contra ou a favor de aulas de defesa pessoal ou outro recurso de proteção contra potenciais abusadores. O ponto é a frustração de se dar conta de que, às vezes, isso é tudo o que temos.


CULTURA

Documentário festeja a trajetória de Toquinho

Foto: Divulgação

Um dos maiores nomes da música popular brasileira surgidos no final dos anos 1960, Toquinho é o tema de um documentário que revisita sua vida e obra. Em Toquinho: Encontros e um Violão (2024), a trajetória do parceiro de Vinicius de Moraes em dezenas de canções antológicas é contada pelo próprio artista e por entrevistas com músicos e imagens de arquivo. Leia a resenha de Roger Lerina.


Muito obrigado pela sua leitura! Quem apoia a Matinal segue conosco com uma curadoria de agenda cultural para o final de semana. Quer ler agora? Então apoie e leia hoje mesmo! Até a próxima edição!