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Sem indicar possíveis vetos, Melo promete regulamentação do Plano Diretor no prazo

Redações finais do Plano Diretor Urbano Sustentável e da Lei de Uso e Ocupação do Solo foram enviadas à prefeitura nesta sexta

Sem indicar possíveis vetos, Melo promete regulamentação do Plano Diretor no prazo
Projetos do Plano Diretor foram entregues para avaliação de Melo pelo presidente da Câmara, Moisés Barboza | Foto: César Lopes / PMPA

O prefeito Sebastião Melo (MDB) recebeu nesta sexta-feira (10) as redações finais do Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS) e da Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS), aprovadas pela Câmara há dois meses. As normas compõem o pacote que define o novo regramento urbanístico para Porto Alegre nos próximos dez anos. Na ocasião, Melo não adiantou se irá vetar trechos incorporados pelos vereadores aos textos e comprometeu-se em regulamentar a legislação dentro do prazo de seis meses, para evitar o que chamou de “vácuos” nas leis. 

Juntos, os dois projetos foram alvos de cerca de 500 emendas. Desse montante, 72 emendas e 16 subemendas foram incorporadas ao PDUS ao longo da votação na Câmara, assim como 45 emendas, sete subemendas e uma mensagem retificativa à LUOS. 

Melo reconheceu que ainda não leu a redação final dos textos enviados pela Câmara, e tampouco o fará neste momento. “Agora vou distribuir aos setores, como a Procuradoria-Geral do Município e a Smamus [Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo]. Depois vou emitir um juízo de valor após os técnicos. O certo é que vou sancionar a lei”, afirmou, sem se comprometer com uma data específica – a expectativa é de que o trabalho seja concluído em 15 dias úteis, prazo habitual. 

Como a Matinal mostrou ao longo da cobertura da revisão do Plano Diretor, propostas diversas entraram nas leis a partir das emendas. Desde as que podem levar à remoção de ciclovias e faixas exclusivas para o transporte público, até a que prevê estrutura para carros voadores. Caso Melo barre alguma das emendas, os vereadores voltam a se debruçar sobre o tema específico, votando para aceitar ou não o veto. Os demais trechos passam a valer automaticamente a partir da sanção. 

Em linhas gerais, o PDUS e a LUOS mudam as características de Porto Alegre, aumentando limites de construções em diversas áreas para até 130 metros de altura e dividindo a cidade em zonas de ordenamento territorial com regras distintas entre si. O prazo para a regulamentação do conteúdo aprovado pela Câmara é de seis meses. Alertando para o risco de insegurança judicial para a construção civil, Melo comprometeu-se com o prazo, o qual considerou razoável. 

“Uma das razões para uma cidade ser empreendedora é dar segurança jurídica ao empreendedor. A construção civil tem uma relação de empregabilidade e renda muito forte, porque quando se faz um prédio, tem o tijolo vendido, o arquiteto, uma cadeia envolvida”, disse o prefeito. 

Ainda que as novas regras passem a valer efetivamente apenas após a regulamentação, antes disso, empreendimentos novos cujos projetos estejam em tramitação já poderão ser flexibilizados por meio de uma espécie de norma transitória. “Durante a regulamentação, já vai apontar alguma transição dos projetos que estão em andamento. Para não haver nenhum gap entre a implementação do novo Plano e aquilo que está tramitando sob a égide da legislação antiga”, disse o secretário da Smamus, Germano Bremm.

Justiça Federal ainda analisa pedido de anulação

A redação final do PDUS e da LUOS chegou ao paço em paralelo à tramitação de uma ação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/RS) na Justiça Federal, decorrente de outra tentativa judicial de 2025. O conselho visa a suspensão da aplicação do novo Plano Diretor por conta de vícios de origem durante a revisão, como a falta de participação popular e de transparência – pontos já advertidos pelo promotor do Ministério Público, Cláudio Ari, desde o ano passado. 

Em sua manifestação nos autos, no último dia 23, a prefeitura rejeita os argumentos do CAU/RS e alega que o órgão está extrapolando suas atribuições. Também apontou que o pedido prejudicaria o regramento urbanístico da cidade: “O ajuizamento de demanda para suspender a totalidade do planejamento de Porto Alegre extrapola as finalidades corporativas do conselho profissional e a vocação da ação civil pública, e invade competência típica do Ministério Público na defesa da ordem urbanística”. 

Ainda em junho, a Câmara ingressou com um pedido para se tornar parte do processo e argumentou ser contrária ao pedido do CAU/RS. Entre outros pontos, diz que o conselho busca fazer um controle preventivo constitucional, o que é atribuição do legislativo. Desta forma, considera o CAU/RS inapto para fazer os pedidos de anulação. No momento, o processo está parado aguardando a troca de juízo.

Nesta sexta, Melo comentou a possibilidade de novas judicializações e disse entender com naturalidade a chance de novo processo. Entretanto, ressaltou que “o rito foi cumprido” com relação à revisão. “Não faltou democracia”, afirmou.  

Tiago Medina

Tiago Medina

Jornalista cofundador da Matinal, repórter e editor. Especialista em Jornalismo Digital e mestre em Planejamento Urbano e Regional (Propur/UFRGS). Ciclista, vencedor na categoria imprensa do prêmio CAU/RS 2024. Contato: tiago@matinal.org

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